Crédito: Divulgação/Polícia Militar

Por Paula Barcellos/Jornalista da Revista Emergência

Um treinamento de bombeiros civis acabou em tragédia no final do mês de outubro. Vinte e oito profissionais faziam um treinamento de técnicas de busca e resgate no interior da gruta Duas Bocas, em Altinópolis, na região de Ribeirão Preto/SP, quando o teto da caverna desabou, deixando dez pessoas retidas.  Nove instrutores e bombeiros civis morreram soterrados. Entre os retidos, apenas uma pessoa foi resgatada com vida.

O curso, organizado por bombeiros civis de Batatais que fazem parte da empresa de treinamentos Real Life, com escritório em Ribeirão Preto, teve início na tarde de sábado, 30 de outubro, sendo que o desabamento ocorreu na madrugada de domingo, dia 31. Ainda não se sabe o que de fato motivou o desabamento da gruta, porém, uma chuva volumosa atingiu a região naquele dia. Em nota, a Escola Real Life Treinamentos informa que análises de riscos na gruta foram realizadas mais de uma vez. “Foi realizada no dia 26 de outubro a análise de risco na gruta, local onde foi realizado o treinamento e ocorreu o desmoronamento. Na data dos fatos, ou seja, sábado dia 30, por volta das 17h os bombeiros civis e os instrutores chegaram até a gruta, momento em que não havia chuva. Assim, foi realizada nova análise de risco para entrar na gruta. No fatídico dia, por volta das 20h começou a chover muito forte, momento no qual os instrutores decidiram por cancelar o treinamento, pois era necessário esperar a chuva passar para poder subir com os equipamentos. Assim, decidiram descansar. Por volta das 00h40min a gruta cedeu em cima dos bombeiros”, diz nota. O documento ainda destaca que “o treinamento não era realizado dentro da gruta totalmente. O treinamento era feito cerca de um metro para dentro da mesma para praticar imobilização de vítimas e busca e salvamento em mata”. Leia a nota na íntegra no final da matéria.

Crédito: Reprodução/TV Globo

DIRETRIZES

Diante do ocorrido, diversos profissionais e instituições fizeram suas análises. Ciente da grande repercussão e questionamentos na sociedade, o CNBC Brasil (Conselho Nacional de Autorregulamentação de Bombeiros Civis) emitiu uma nota de esclarecimentos. Segundo a nota, existem diretrizes e preceitos de autorregulamentação do CNBC, normas nacionais ABNT e outros dispositivos legais e de boas práticas que asseguram que em quaisquer situações de treinamento, estudantes não sejam expostos a perigos em situação de risco que não seja controlado e seguro, de forma que estudantes não são expostos a riscos reais em cursos. A nota ainda revela que treinamentos do tipo não fazem parte das normas ABNT. “Quaisquer cursos ou treinamentos em ambiente natural, sejam em grutas, cavernas, mata ou outros, exceto o combate a incêndios florestais, não fazem parte das disciplinas e conteúdo de Normas ABNT aplicáveis, sendo que, conforme ABNT NBR 14277:2021 Instalações e equipamentos para treinamentos de combate a incêndio e resgate técnico – Requisitos e procedimentos e a NBR 14608:2021 Bombeiro civil – Requisitos e procedimentos, todas as atividades práticas de treinamento devem acontecer em ambiente controlado e seguro.

Vale mencionar que as normas se referem a conteúdos mínimos, sendo lícito que as entidades de ensino possam incluir conteúdo complementar em seus cursos, desde que respeitados os mesmos preceitos de segurança”. O documento também ressalta que desde 2013, o CNBC Brasil publicou a Diretriz 07-2013 Cursos e Treinamentos em ambiente natural – requisitos e proibições, com parâmetros para garantir a segurança de estudantes em curso. Veja nota da CNBC na integra.

RESGATE

Diversas equipes participaram das atividades de resgate, como CBPMESP (Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de SP), Polícia Militar, técnicos da CEPDEC (Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil de SP) e um geólogo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), além de especialistas em resgate.

O geólogo do IPT, Marcelo Gramani, esteve na ocorrência e comentou sobre o trabalho realizado. “Na manhã do domingo, devido ao alto risco envolvido na operação, fui acionado pela CEPDEC para acompanhar as equipes de resgate e busca do Corpo de Bombeiros de São Paulo que se encontravam no interior da Gruta. A primeira atividade foi confirmar o tipo e as dimensões do fenômeno ocorrido – desplacamento rochoso de médias proporções em rocha arenítica – e a possibilidade de novas rupturas. Num segundo momento, conversamos a respeito das possibilidades de escoramento do teto e parede da gruta no local da busca, monitoramento contínuo da estabilidade de porções do teto (porções úmidas, rachaduras e trincas, estalos e deslocamentos na rocha), mapeamento expedito de outros pontos críticos próximos à área dos escombros e caminhos e acessos percorridos pelas pessoas, orientações e alternativas para rotas de fuga e indicação de locais seguros para as equipes que permaneciam em espera para a troca de turnos”, explica.

Gramani falou sobre as dificuldades que o ambiente oferecia e os cuidados tomados. “Especificamente nas ações emergenciais, as dificuldades encontradas pelas equipes de resgate e busca passavam pelo acesso à gruta por meio de trilha na mata (grande extensão), chuva constante e por vezes intensa em determinados momentos das ações, estabelecer critérios técnicos para antecipar e alertar as equipes com relação a novas rupturas, limitações com relação à avaliação de detalhe do maciço rochoso, garantia da estabilidade do teto da gruta próxima à área de busca, possibilidades de escorregamentos na parte externa e superior da gruta e atingimento na base onde havia grande concentração de pessoas e, apesar do acidente ter ocorrido próximo à entrada da gruta, havia necessidade de luz para orientar as escavações”, cita. Ele ressalta que as equipes seguiram protocolos rígidos de segurança e orientações dadas por diferentes especialistas, com destaque para equipe reduzida na área quente, verificação contínua nos escoramentos e estabelecimento de funções específicas para cada integrante.

INVESTIGAÇÃO

Em nota a empresa Real Life diz que ficou sabendo do ocorrido por volta da 01h40min da madrugada do dia 31, momento no qual a empresa prestou toda a assistência às vítimas e familiares. “A empresa está realizando sindicância interna para apurar eventuais erros”, cita a nota. Já o CNBC Brasil instituiu um grupo de trabalho extraordinário para acompanhar o caso e novas providências serão informadas assim que possível. “Continuamos à disposição para colaborar junto a autoridades e em esclarecimentos à sociedade sobre este e outros temas relacionados” consta na nota do Conselho.

Depois de encerrados os trabalhos de resgate e realizados os enterros, a Polícia Civil deu início a uma investigação para apurar o que causou o acidente e eventuais responsáveis pelas mortes.

NOTA OFICIAL DA EMPRESA

A Escola REAL LIFE TREINAMENTOS informa que foi realizada no dia 26/10/2021 a análise de risco na gruta, local onde foi realizado o treinamento e ocorreu o desmoronamento.

Na data dos fatos, ou seja, sábado dia 30/10/2021, por volta das 17:00 horas os bombeiros civis e os instrutores chegaram até a gruta, momento em que não havia chuva. Assim, foi realizada nova análise de risco para entrar na gruta.

Cumpre informar que o treinamento não era realizado dentro da gruta totalmente. O treinamento era feito cerca de um metro para dentro da mesma para praticar imobilização de vítimas e busca e salvamento em mata, aonde aprende as técnicas (GPS, BÚSSULA, MAPA, DESLOCAMENTO EM MATA FECHADA, PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO, OPERAÇÕES PARA BUSCA E SALVAMENTO DE PESSOAS PERDIDAS FERIDAS EM MATA FECHADA, OCORRÊNCIAS COM ANIMAIS PEÇONHENTOS E NOÇÕES DE SOBREVIVENCIA).

No fatídico dia, por volta das 20:00h começou a chover muito forte, momento no qual os instrutores decidiram por cancelar o treinamento, pois era necessário esperar a chuva passar para poder subir com os equipamentos. Assim, decidiram descansar. Por volta das 00:40h a gruta cedeu em cima dos bombeiros.

A empresa ficou sabendo do ocorrido por volta das 01:40h da madrugada do dia 31/10/2021, através de um sobrevivente Rafael Sordi que é instrutor de Ribeirão Preto momento no qual a empresa REAL LIFE TREINAMENTOS, prestou toda a assistência junto ao auxílio das vítimas e familiares.

A empresa está realizando sindicância interna para apurar eventuais erros e se coloca a disposição da família e dos órgãos responsáveis para ajudar a elucidar o ocorrido, bem como está prestando o auxílio aos familiares dos envolvidos.

Ribeirão Preto, 01 de NOVEMBRO de 2021
Sebastião Francisco de Abreu Neto
(Diretor REAL LIFE- TREINAMENTOS)

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