Crédito: Matheus Quintal/ Prefeitura de Petrópolis

Fonte: G1

Uma década se passou desde que a maior tragédia climática do Brasil atingiu a Região Serrana do Rio entre a noite do dia 11 e a madrugada do dia 12 de janeiro de 2011. Foram 3 horas de chuva intensa, tempo suficiente para marcar para sempre as vidas das milhares de famílias que foram atingidas.

Sete cidades ficaram entre as mais afetadas pelo rastro de destruição deixado após uma enxurrada e diversos deslizamentos de terra. O volume de chuva durante as 3 horas foi maior do que o esperado para o mês inteiro.

De acordo com os dados oficiais do Governo do Estado, a tempestade matou 918 pessoas, deixou 30 mil desalojados e, de acordo com o Ministério Público Estadual, ao menos, 99 vítimas seguem desaparecidas até hoje.

Quatro destes desaparecidos são da família de Ângela Lopes, que perdeu sete familiares em Teresópolis. Entre as vítimas estão a irmã, o cunhado, sobrinhos e um sobrinho-neto. O rosto de cada um está estampado em uma camisa que ela guarda para relembrar os que se foram.

“Minha irmã morava no Campo Grande. Ela tinha três filhos, o marido, o genro e os netos. Minha sobrinha era casada e tinha dois filhos, um de 4 anos e outro de 1 ano e 8 meses”, conta Ângela.

Da família, apenas o bebê de 1 ano e 8 meses sobreviveu.

“Na hora que começou a chuva, minha sobrinha foi na casa da sogra dela, deixou o bebê e voltou pra casa porque o marido tava em casa com o outro menino de 4 anos. Só que ela, coitada, nunca voltou pra buscar o bebê”, relembrou a sobrevivente da tragédia.

Além da dor da perda, Ângela ainda precisou conviver com a angústia de não ter sequer enterrado alguns dos familiares.

Crédito: Marino Azevedo/ Governo do estado RJ

“Foi muito difícil pra gente no começo. Até hoje não encontramos quatro pessoas. É muita tristeza, quando chega perto do Natal e Ano Novo a gente não faz festa, não se junta. Perder uma pessoa já é muito triste, imagina do nada [perder] sete”.

Na época, a casa de Ângela ficava no Caleme, um dos bairros mais atingidos na cidade. Ela guarda imagens que mostram o antes e o depois da destruição.

“Eu perdi minha casa, mas graças a Deus a gente sobreviveu. Estávamos eu, minha filha e minha mãe. Meus vizinhos em volta morreram quase todos”, disse Ângela.

A sobrevivente disse que permaneceu em casa durante a chuva porque a mãe era acamada e não tinha condições de sair.

“As pessoas gritavam ‘corre, Ângela, corre’, mas eu não tinha como correr. Minha mãe não andava nem enxergava. Eu não tinha como correr, eu não aguentava carregar ela”.

A casa dela foi uma das poucas que permaneceu de pé após os deslizamentos de terra naquela região.

Ela conta que, em meio ao medo que sentiu naquela noite, ajudou a socorrer e abrigar as pessoas que eram encontradas com vida.

“Ao lado, [a água] arrastou tudo. Quem sobreviveu, foi pra minha casa. Muita gente chorando, machucada. Enquanto tinha água na minha caixa d’água eu fui lavando eles, dei remédio de dor…”, contou emocionada.

Atualmente, Ângela mora em um condomínio em Teresópolis que foi construído em uma fazenda para famílias que perderam suas casas na tragédia. A espera pelo novo lar levou 7 anos.

A apreensão em dias de chuva se tornou um sentimento comum entre os sobreviventes.

Em entrevista ao Fantástico, a autônoma Tatiana da Silva Rodrigues falou sobre o medo.

“Não tem como esquecer, o medo vai diminuindo porque a gente vai acostumando, mas esquecer é impossível. O medo está sempre ali. Quando dá uma trovoada mais forte a gente já fica com medo”.

Crédito: Matheus Quintal/ Prefeitura de Petrópolis

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