Crédito: Marcelo Loureiro/Secom

Fonte: G1

Chega ao 7º dia nesta sexta-feira (6), a operação de busca e resgate das vítimas do naufrágio da embarcação Anna Karoline 3 ocorrido no sábado (29), no Sul do Amapá. Ao todo, 22 mergulhadores do Corpo de Bombeiros do Amapá, Pará e Amazonas, além de embarcações da Marinha e cinco aeronaves auxiliam no trabalho, que agora procura por 9 desaparecidos.

O governo do Amapá divulgou na noite de quinta-feira (5), que 29 corpos foram resgatados até o 6º dia de operação. Desses corpos, 20 estão identificados. Do naufrágio, 49 pessoas conseguiram sobreviver.

Uma lista com os nomes de desaparecidos e mortos identificados foi divulgada pelo governo estadual na terça-feira (3). No entanto, não houve atualização desde então.

Uma central de acolhimento a parentes das vítimas foi instalada no quartel do Corpo de Bombeiros de Santana.

Na quarta-feira, o governo do Amapá lançou um aviso de cotação eletrônica emergencial, por meio da Central de Licitações e Contratos (CLC) da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), para contratar uma empresa para retirar do fundo do rio o navio Anna Karoline 3.

O Congresso Nacional também criou comissão externa para apurar responsabilidades do naufrágio. O grupo tem 180 dias para as ações e será formada por 7 parlamentares titulares e 7 suplentes, cujos nomes ainda serão definidos.

O naufrágio

Crédito: Prefeitura de Almeirim/Divulgação

O Anna Karoline 3 saiu por volta das 18h de sexta-feira (28) de Santana, no Amapá, em direção a Santarém, no Pará. A viagem entre as duas cidades dura, em média 36, horas. A previsão de chegada em Santarém era às 6h de domingo (1º).

Mas a viagem foi interrompida na madrugada de sábado, próximo à Ilha de Aruãs e à Reserva Extrativista Rio Cajari, no Rio Jari (veja no mapa abaixo). A região fica a 130 km de Macapá, em um local de difícil acesso e comunicação – o chamado de socorro foi feito às 5h, e o helicóptero de resgate do governo do estado só chegou ao local por volta das 14h de sábado.

O Corpo de Bombeiros afirmou que não há um número oficial de vítimas, pois a embarcação não tem uma lista de passageiros para orientar as buscas, mas o que se sabe é que estavam sendo transportadas no mínimo 60 pessoas.

Sobreviventes descreveram que chovia e ventava forte na hora do naufrágio. A Capitania dos Portos ainda vai investigar o que provocou o acidente.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) identificou que a empresa não tem autorização para operar na rota Santana-Santarém.

A Polícia Civil do Amapá abriu um inquérito para apurar criminalmente o caso e busca identificar se a embarcação estava com excesso de carga. O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público (MP) estadual também se mobilizam para investigar criminalmente as circunstâncias que envolvem o naufrágio.

A prefeitura de Macapá decretou situação de emergência para ajudar familiares de vítimas e sobreviventes, com envio de água mineral, medicamentos, alimentação, roupas, material de higiene pessoal, combustível, e ainda disponibilizando auxílio funeral.

Veja dados da Antaq sobre o navio:

  • Nome: Anna Karoline 3
  • Linha autorizada: Santarém – Manaus
  • Comprimento: 38,25 metros
  • Largura: 7,3 metros
  • Capacidade de passageiros: 242 passageiros (sem qualquer carregamento adicional)
  • Capacidade de carga: 89 toneladas
  • Quantidade de convés: dois