Crédito: Divulgação/Corpo de Bombeiros/SE

Fonte: ABSpk

Na manhã desta sexta-feira (28), um incêndio atingiu parte do Hospital Municipal Zona Norte Doutor Nestor Paiva, em Aracaju (SE). Até o momento a Prefeitura confirmou a morte de quatro pessoas, sendo três no local e uma durante a transferência para o Huse (Hospital de Urgência Governador João Alves Filho).

A suspeita é de que o fogo tenha iniciado no ar-condicionado do setor que atende pacientes de Covid-19 por volta de 6h30, mas não demorou em ser controlado. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), cerca de 60 pacientes estavam no setor acometido pelas chamas. Destes pacientes, 35 foram transferidos para os hospitais da Polícia Militar (HPM), Santa Isabel, Senhor dos Passos, Primavera, Hapvida, Fernando Franco e leitos do Caps Jael Patrício, além do Huse.

Em dados divulgados pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar (ABDEH), de janeiro a outubro de 2020 foram registrados (e publicados em jornais) 54 incêndios em estabelecimentos assistenciais de saúde (EAS) – uma média de 5,4 casos por mês. 

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Sprinklers (ABSpk), Felipe Melo, especialista em medidas de proteção contra incêndios e emergências, motivos ligados à rede elétrica são uma das causas mais comuns nas ocorrências. “Além de problemas com trabalho à quente, como por exemplo solda em estrutura metálica ou qualquer outro método que gere faísca, é comum vermos, também, casos envolvendo ar-condicionado, coifa de cozinhas ou até mesmo fritadeiras”, explica Felipe. 

“Uma das medidas de segurança que pode ajudar muito nesses momentos são rotas de fuga bem dimensionadas, nos hospitais, que ajudam em uma evacuação mais rápida, e a adoção de sistemas de sprinklers, traduzidos no Brasil para “Chuveiros Automáticos”, que controlam o incêndio logo no início e inibem a formação de fumaça tóxica, dando tempo e visibilidade para a evacuação do espaço, minimizando os riscos”, aconselha o presidente da ABSpk.

Além disso, os projetos arquitetônicos hospitalares atuais devem levar em consideração as normas de emergência, visando à aprovação da estrutura perante órgãos reguladores. Para prevenir incêndios de forma eficiente, é preciso ter um planejamento mais detalhado, que considere receber apoio de engenheiros com maior vivência de segurança contra incêndios desde o início, estabelecendo opções de proteção em casos de ocupantes com pouca ou nenhuma opção de mobilidade. 

Em 2014, a Anvisa lançou o manual de segurança contra incêndio em hospitais e afirma que incêndios de diversas magnitudes em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde no Brasil podem representar 3.200 ocorrências ao ano, ou cerca de 270 incêndios ao mês.

É fato que a ocorrência de incêndios se dá por fatores diversos, muitas vezes difíceis de se prever. Mas, ao seguir corretamente as orientações dos órgãos competentes e investindo na instalação e manutenção dos equipamentos são medidas simples e eficientes para a preservação de vidas e de patrimônios.

LEIA MAIS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui