Data: 18/02/2010 / Fonte: A Tarde

Bahia – Um incêndio supostamente criminoso, que começou na tarde de quarta-feira, 17, destruiu 600 hectares da mata atlântica, o equivalente a 600 campos de futebol, da histórica Lagoa Grande, localizada entre Barra do Gil e a contracosta da Ilha de Itaparica (a 285 km de Salvador). O incêndio foi controlado por volta das 10 horas da manhã desta quinta, 18, mas não debelado, pois o fogo continua queimando a vegetação.

Nesta quinta-feira, 18, foram detectados sete focos de incêndio. A equipe do Corpo de Bombeiros esbarra na dificuldade de acesso ao local, já que é uma mata fechada e densa. Carros-pipa não têm acesso ao centro da mata. Até a tarde de quinta-feira, 18, foram usados cerca de 20 mil litros de água. O helicóptero dos bombeiros abastece as bolsas numa lagoa da Fazenda Água Viva, onde foi montada a base da operação, a 200 metros da Lagoa Grande, área mais atingida.  Ainda não se sabe se, além de queimar a vegetação, o fogo destruiu ninhos de pássaros ou causou a morte de outros animais.

A origem do fogo ainda é desconhecida. Porém, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros suspeitam que o incêndio seja criminoso. As hipóteses mais prováveis, segundo o major PM Gomes Filho, são as queimadas, fogueiras de caçadores, queima de lixo doméstico ou a piromania. “Existem pessoas que tocam fogo na vegetação de propósito, por diversão, sem pensar nos danos e nos prejuízos. Além disso, moradores juntam o lixo nas propriedades e queimam, com o calor forte o fogo acaba se alastrando. O incêndio foi criminoso”, ressaltou.

História

A Lagoa Grande possui área de manguezal e uma biodiversidade ainda preservada. Segundo o fotógrafo e ambientalista Luís Pereira, na Lagoa Grande ainda existem as ruínas da primeira igreja da Ilha de Itaparica, de Nosso Senhor de Vera Cruz, onde se desenvolveu o primeiro núcleo habitacional da região. “A lagoa alimenta todo o lençol freático da ilha. Foi nela que funcionou a primeira máquina a vapor de moer cana. Ela é uma fonte de água mineral”, contou. Perto da lagoa há várias fazendas e a comunidade da Joeirana, onde moram duas mil pessoas.

“Faremos levantamento dos prejuízos ao meio ambiente e vamos autuar os responsáveis”, garantiu Simone Alcântara, fiscal do Instituto do Meio Ambiente (IMA).

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