Crédito: Rodrigo Ziebell/GVG

Fonte: CBMRS

Desde o início dos trabalhos de combate ao incêndio na sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP), com o Sistema de Comando de Incidentes (SCI), o Corpo de Bombeiros Militar (CBMRS) organizou estrutura operacional completa para viabilizar o trabalho ininterrupto de combate ao fogo e resfriamento da área. Tão logo se verificou a ausência de dois bombeiros militares que atuavam na ação, também foi mobilizada toda a capacidade de busca e resgate aos desaparecidos. Confira abaixo como está organizado o terreno no pátio da SSP, para alocar todo o efetivo e equipamentos necessários à operação de resgate do 1° tenente Deroci de Almeida da Costa e do 2° sargento Lúcio Ubirajara de Freitas Munhós.

Vigilância

Em todas as entradas do complexo da SSP, há um forte esquema de segurança com vigilantes da empresa privada que já fazia o controle dos acessos. Os vigilantes permanecem nos locais 24 horas, conferindo a identificação de cada uma das pessoas que ingressam no terreno apenas mediante a autorização do comando de operações. A segurança de toda a área também conta com o apoio de efetivos da Brigada Militar e de agentes do Departamento de Inteligência da Segurança Pública (Disp) da SSP, bem como de servidores das divisões de inteligência das demais vinculadas.

Posto de Comando de Operações (1)

Crédito: Rodrigo Ziebell/GVG

Localizado no centro do terreno, bem de frente para o meio do prédio da SSP, em uma área com alcance visual para toda a área da ocorrência, está instalada uma estrutura de lona do CBMRS onde fica o Posto do Comando de Operações. Nesta base, o tenente-coronel Eduardo Estevam Rodrigues, comandante do 1° Batalhão de Bombeiro Militar em Porto Alegre e da operação na sede da SSP, emite todas as orientações aos oficiais e define o trabalho das equipes de serviço.

Por rádio, a equipe de apoio do comando de operações se comunica com todo efetivo empregado, desde os que atuam na área afetada até o monitoramento da portaria, estacionamento de viaturas e controle do revezamento de equipes a cada turno. Para acompanhar a presença de cada uma das pessoas no terreno, há um quadro que é atualizado a cada nova chegada.

Os líderes de cada equipe precisam informar o nome de cada membro, inclusive os binômios (dupla homem e cão) na entrada e na saída de cada turno. Dessa forma, o comando consegue otimizar as equipes e ter controle de todos os servidores e recursos empregados, como viaturas e maquinário, que circulam na cena.

Crédito: Rodrigo Ziebell/GVG

Posto de planejamento (2)

Ao lado do Posto de Comando de Operações, há uma outra estrutura semelhante de lona com uma grande mesa de reuniões e um quadro de avisos, que serve como apoio para eventuais necessidades de análises de documentação e outros documentos relacionados ao trabalho de busca e resgate. É também um ponto de parada para encontros rápidos que são realizados a todo momento para encaminhar decisões no terreno.

Área de espera e estacionamento (3)

A área de espera melhora a segurança dos envolvidos e otimiza o emprego de recursos, facilitando a entrada oportuna e controlada de pessoas no terreno da SSP, proporcionando um local de chegada de pessoal e estacionamento de veículos, equipamentos e ferramentas. O local tem rotas diferentes de entrada e saída e acomoda os recursos disponíveis, podendo expandir-se caso o incidente necessite. É nela também que foram instalados quatro banheiros químicos. Os militares também têm à disposição os banheiros do prédio do futuro Centro Regional de Excelência em Perícias Criminais (Crepec), que fica no terreno ao lado da rodoviária da Capital.

Área de impacto (4)

O prédio que incendiou e teve desabamento parcial pelo colapso da estrutura é a área de impacto, onde há risco de novos focos de incêndio ou de novos desabamentos. Nesse espaço se desenvolve o trabalho de buscas, onde a ação primária das equipes é a remoção de escombros com ferramentas leves e auxílio de maquinário pesado, próprio para a atividade. Também é empregado equipamento de captação de sons, além da técnica de chamada e escuta, que consiste em, num ambiente de silêncio, chamar pelas vítimas aguardando uma resposta qualquer que seja. Outra ação é a busca com cães, em um perímetro delimitado de segurança. Nesse trabalho, os binômios (dupla homem e cão) são utilizados com a finalidade de identificar, dentro da especificidade de treinamento de cada cão, sinais como sons e cheiros que possam apontar a localização de vítimas. Foram abertos dois acessos ao prédio, um pela lateral na entrada da Ala Sul, e outro na parede frontal da fachada do anexo, logo em frente à edificação, onde funcionava o Departamento de Comando e Controle Integrado (DCCI).

Área de atendimento (5)

Crédito: Rodrigo Ziebell/GVG

Caso algum servidor envolvido na operação necessite de atendimento psicológico ou médico estão à disposição as ambulâncias de resgate do CBMRS e uma estrutura da Cruz Vermelha. Na barraca, há disponibilização de água, máscaras de proteção contra a Covid-19, luvas e materiais de primeiro socorro. A instalação tem presença 24 horas, com revezamento de turnos por 12 profissionais, sendo cinco psicólogos, três agentes de logística, três agentes de gestão de risco e uma estudante de Psicologia.

Desde a quinta-feira, dia seguinte ao incêndio, a equipe já realizou 21 atendimentos que vão desde a escuta aos militares que atuam nas buscas como também acolhimento aos familiares das vítimas. As seções têm o objetivo de ajudar os servidores e parentes dos desaparecidos a lidar com o conflito de emoções e sentimentos, a angústia pelo tempo de espera, o cansaço pelo trabalho ininterrupto e questões relacionadas ao fato que mais impactam cada um dos atendidos.

Outra orientação importante é quanto a busca por informações, para direcionar a atenção aos canais oficiais, de forma a evitar notícias conflitantes e boatos que aumentem a ansiedade.      

Alojamento (6)

Este local se destina a descanso dos efetivos empregados. A estrutura montada pelo CBMRS dentro dos galpões que ficam na entrada do terreno contém alojamentos com cerca de 20 beliches para repouso e consequente revezamento das equipes envolvidas. O local fechado abriga as equipes do frio e de eventual chuva.

Refeitório (7)

Crédito: SD Kelly Motter/CBMRS

A tenda fica ao lado do alojamento, com mesas e cadeiras para as refeições. A alimentação, em um primeiro momento, foi viabilizada mediante processo de dispensa de licitação e, após, em uma contratação emergencial pelo CBMRS. O Exército Brasileiro, a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), a comunidade e associações de classe, por iniciativa própria e voluntária, também alcançaram gêneros em complemento aos adquiridos. A cada almoço e jantar são servidos mais de cem refeições quentes completas, que incluem proteína, carboidratos e saladas. Além disso, estão permanentemente à disposição lanches com café, água, suco, leite, frutas, bolachas e sanduíches.

Este setor é fundamental para a recuperação e manutenção dos servidores em condição adequada de atuação. Colabora ainda para a manutenção do bem-estar do efetivo e incrementa a segurança das ações ao eliminar preocupações com necessidades básicas da rotina diária, permitindo aos militares focarem toda a atenção e concentração no trabalho de buscas.

Equipes da Defesa Civil e de engenharia (8)

Crédito: Rodrigo Ziebell/GVG

A operação conta ainda com a estrutura da Defesa Civil Estadual, ao lado do Posto de Comando de Operações, para abrigar os servidores da instituição, da Defesa Civil Municipal e o grupo de engenheiros que estão apoiando na análise das estruturas do prédio.

A tenda é utilizada para reuniões e para a avaliação dos materiais recolhidos pelos profissionais, bem como para o assessoramento sobre a abordagem ao prédio e necessidade de escoramentos e utilização de maquinário pesado, de forma a evitar novos desabamentos parciais de partes da construção que ficaram em suspenso na estrutura colapsada.

Núcleo de coordenação operacional (9)

É o posto onde as equipes de trabalho se preparam para ingressar na área de impacto, conferindo o efetivo de cada frente de ação dentro da estrutura colapsada do prédio, os equipamentos e ferramentas necessários e a definição das tarefas de cada militar.

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