Crédito: Cb PM Douglas Arrais/ COM SOC CB

Fonte: G1

O Corpo de Bombeiros informou na noite desta terça-feira (17) que o corpo da última vítima que ainda estava desaparecida após os deslizamentos causado pelo temporal em Guarujá, no litoral de São Paulo, foi encontrado na Barreira do João Guarda. A chuva forte que atingiu a Baixada Santista no início de março deixou 45 pessoas mortas.

Evangleic Rodrigues de Oliveira, de 45 anos, era a única vítima que ainda não havia sido foi localizada. Os três filhos dela morreram na tragédia: Jhonnatan Robert Rodrigues Oliveira dos Santos, de 21 anos, Jhennyfer Gleice Rodrigues Oliveira dos Santos, de 19 anos, Alice Rodrigues Oliveira dos Santos, de 9 anos.

Um dos filhos foi encontrado a menos de 25 metros da casa deles e os outros dois a uma distância maior, na parte de baixo de onde era a casa. Segundo informações, o corpo de Evangleic foi encontrado na parte debaixo do terreno onde ficava a casa da família.

No último domingo (15), a corporação utilizou um drone para identificar o caminho que a lama teria feito durante o deslizamento, direcionando as buscas de forma efetiva.

De acordo com o tenente André Elias, do Corpo de Bombeiros, os pontos de busca foram mapeados pela corporação com o objeto de facilitar o trabalho dos bombeiros que, com a localização da última vítima desaparecida, foi encerrado na região.

Veja onde ocorreram as mortes:

  • Guarujá: 34 mortes
  • Santos: 8 mortes
  • São Vicente: 3 mortes

Desabrigados

Famílias desabrigadas de Guarujá começaram a receber aluguel social, como forma de auxiliar nos custos. Depois destas medidas, o número de abrigados na Escola Municipal Professora Dirce Valério Gracia diminuiu e, ao todo, 121 pessoas permanecem no local. No total, 477 moradias foram interditadas em áreas de risco pela Defesa Civil municipal.

Fim das buscas

O corpo da terceira e última vítima da tempestade em São Vicente foi encontrado. O homem de 69 anos foi localizado na região do Parque Prainha, no sábado (7). Com isso, o capitão do Corpo de Bombeiros, Marcos Palumbo, informou que as buscas foram encerradas na cidade. Os agentes foram deslocados para o Guarujá.

A cidade registrou outras duas mortes após o temporal. Uma mulher de 60 anos, que faleceu no mesmo deslizamento de solo, e um idoso de 86 anos, que estava em uma clínica de repouso particular na Vila Valença, quando o chão de um cômodo cedeu. Ambos também foram localizados.

Em Santos, as quatro pessoas que estavam desaparecidas foram encontradas entre a madrugada e manhã de sábado (7). O município registra 8 vítimas da tragédia e, com a localização das quatro últimas vítimas, que seriam da mesma família, o trabalho do Corpo de Bombeiros foi encerrado no Morro São Bento.

Em um período de 24h, de acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), choveu 320 mm em Guarujá, valor muito acima da média de 263 mm prevista para março. Em Santos, choveu 239 mm, perto da média de 257 mm. Já em São Vicente, foram registrados 207 mm de chuva, abaixo da média de 257 mm prevista para o mês todo.

Exército

A pedido da prefeitura de Guarujá, no dia 7 de março, soldados do Exército chegaram à cidade para oferecer ajuda humanitária. As equipes foram para a Escola Municipal Profª Dirce Valério Gracia, onde estavam os desabrigados do município. Cerca de 25 militares atuam na ação diariamente.

O Exército também passou a atuar em Santos, na quarta-feira (11), para auxiliar nas ações de limpeza nos morros atingidos pelo temporal. Um total de 50 soldados do 2º Batalhão de Infantaria Leve do Exército, localizado em São Vicente, atuam na remoção de vegetais caídos, pedras e solo solto. Os trabalhos começam no Monte Serrat.

Chuva na Baixada

O temporal começou na noite de segunda (2) e se estendeu durante toda a madrugada e manhã de terça-feira (3). Moradores registraram alagamentos, e ruas ficaram intransitáveis em toda a Baixada Santista. Passageiros de um ônibus mostraram o rápido aumento do nível da água no interior do veículo. Diversas linhas de ônibus e itinerários foram comprometidos pelo temporal.

Houve quedas de barreira nas rodovias Anchieta, Cônego Domênico Rangoni, Rio-Santos e Guarujá-Bertioga, que fazem a ligação de cidades da Baixada Santista com outras regiões do Estado de São Paulo. As rodovias precisaram ser interditadas.

Chuvas no Sudeste

A ausência de variações de temperatura no Oceano Atlântico e o aquecimento global explicam as fortes chuvas que atingiram a região sudeste do Brasil no mês de fevereiro, segundo especialistas consultados pelo G1.

Já no começo de março, as chuvas também continuaram castigando a região. Quatro pessoas morreram no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo no dia 2 de fevereiro.