Crédito: Divulgação/CBPMESP

Fonte: G1

São Paulo/SP – A chuva que começou a atingir a cidade de São Paulo neste domingo (9) causou estragos visíveis nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (10).

As Marginais Tietê e Pinheiros tiveram trechos intransitáveis por causa dos transbordamentos dos respectivos rios. A circulação dos transportes públicos (ônibus, metrô e trens) foi comprometida e a prefeitura suspendeu o rodízio de veículos. A recomendação dos Bombeiros e da Defesa Civil do Estado é que as pessoas evitem sair de casa.

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Posted by Corpo de Bombeiros da PMESP on Monday, February 10, 2020
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O governo e a Prefeitura de São Paulo responsabilizaram a chuva excessiva pelos inúmeros transtornos provocados na cidade na manhã desta segunda-feira (10).

“É uma cidade extremamente impermeabilizada, não há absorção. Os sistemas de piscinão funcionaram até o limite, os sistemas de bombeamento funcionaram até o limite, mas o que ocorreu foi: excesso de chuva em um período pequeno”, disse o Secretário Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, declarou que os moradores da cidade que se sentirem prejudicados pelos alagamentos podem pedir ressarcimento de impostos nas Subprefeituras. Os valores, segundo o prefeito, serão ressarcidos no IPTU de 2021.

Resumo:

  • Fevereiro: chuva em SP é a maior em 24 horas para o mês em 37 anos
  • Rodízio de veículos: suspenso por todo o dia;
  • Marginais: Tietê e Pinheiros chegaram a ficar fechadas em pontos com alagamento;
  • Chegada a São Paulo: rodovias Carvalho Pinto e Dutra registraram congestionamento; a situação era a mesma na Castello Branco e na Imigrantes;
  • Congestionamento: por volta de 8h, havia 89 km de lentidão em toda cidade;
  • Trens: a linha 9 da CPTM está parada — a 8 ficou paralisada por algumas horas durante a manhã;
  • Metrô: opera normalmente;
  • Aeroportos: Guarulhos e Congonhas tiveram voos cancelados;
  • Ocorrências: os Bombeiros registraram, da meia-noite às 11h30, na Grande São Paulo, 796 acionamentos por enchentes, 120 quedas de árvores e 140 desabamentos/desmoronamentos;
  • Deslizamentos de terras: uma menina soterrada foi resgatada com vida em Osasco, e um ônibus foi atingido na Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, na capital;
  • Órgãos públicos: o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu o expediente em todas as unidades judiciais da comarca da Capital;
  • Escolas: algumas instituições, como o Colégio Visconde de Porto Seguro, cancelaram as aulas.

As Marginais Tietê e Pinheiros chegaram a ficar fechadas em pontos com alagamento. Na Tietê, o ponto crítico foi na altura da ponte da Casa Verde, sentido Cebolão. Às 11h20, a Tietê foi liberada próximo à Ponte do Limão, na pista expressa sentido Ayrton Sena, e a Pinheiros foi liberada junto à Ponte Engenheiro Roberto, sentido Interlagos.

O rio Pinheiros, que corta a cidade de São Paulo, alcançou o maior nível e transbordou de uma forma que não ocorria há 15 anos, de acordo com o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee).

De acordo com a Prefeitura, o temporal ganhou força a partir da primeira hora da madrugada desta segunda-feira (10), acumulando, em aproximadamente 3h, cerca de 60 milímetros (mm) de média na cidade. Determinados bairros registraram números acima disso. Veja as situações em alguns bairros:

  • Lapa 98,3 mm;
  • Pinheiros 86,9 mm;
  • Butantã 82,1 mm;
  • Sé 76,5 mm.

A capital paulista registrou 83% da chuva prevista para o mês de fevereiro em apenas 10 dias, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura de São Paulo.

Para o mês de fevereiro, a média esperada é de 216,7 mm. Até as 7h desta segunda-feira (10), havia chovido cerca de 179,9 mm. O temporal foi provocado por causa da passagem de uma frente fria pela costa paulista, associada a uma área de baixa pressão atmosférica.

A chuva deve continuar ao longo desta segunda-feira (10), segundo o CGE. Ao longo da tarde e da noite, a chuva pode variar de intensidade entre moderada e forte.

No começo da manhã desta segunda-feira (11), a cidade chegou a registrar 76 pontos de alagamentos, sendo 68 intransitáveis e 8 transitáveis. Às 12h03, eram 85 pontos de alagamentos, sendo 66 intransitáveis e 19 transitáveis. 

O corpo de um homem de 33 anos foi encontrado no piscinão de São Bernardo, segundo os Bombeiros, na manhã desta segunda-feira (10). Ele estava desaparecido desde sábado (8). Inicialmente, a reportagem afirmou erroneamente que homem desapareceu no domingo (9), quando a chuva começou.

Segundo a Defesa Civil, até a última atualização desta reportagem, não há registro de ocorrências graves ou com vítimas por causa da chuva que começou neste domingo (9).

A Zona Oeste da cidade foi a mais afetada. É nesta Região que fica a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), que ficou alagada, com um dos corredores tomado por melancias boiando.

O Mirante de Santana, na Zona Norte de São Paulo, registrou 114 mm de chuva entre o fim da tarde de domingo (9) e 9h desta segunda-feira (10). Essa é a maior quantidade de chuva em 24 horas para o mês de fevereiro registrado em 37 anos, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Um deslizamento de terra atingiu um ônibus na Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, na Zona Norte de São Paulo, no fim da manhã desta segunda-feira (10).

Mas a Grande São Paulo, principalmente Barueri, também amanheceu em clima de caos por causa da chuva.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que, desde domingo (9) até às 8h desta segunda-feira (10), foram registrados 141,2 mm de chuva em Barueri. No Mirante de Santana, na Zona Norte da capital, foram registrados 113,2 mm de chuva. A média nos últimos 30 anos para o mês de fevereiro nesta estação de medição é de 249,7 mm.

Segundo o CGE, o tempo deve continuar instável e com chuva nesta segunda-feira (10).

Transporte público

O metrô informou que opera normalmente desde o começo do dia, mas a linha 9 – Esmeralda da CPTM parou — a linha 8 – Diamante ficou paralisada até às 9h10.

O Plano de Ação Entre Empresas em Situação de Emergência (Paese) foi acionado a pedido da CPTM em decorrência de problemas que afetaram a circulação dos trens na linha 9 – Esmeralda entre as estações Osasco e Santo Amaro.

A SPTrans informou que a circulação dos ônibus municipais também foi prejudicada por causa da chuva, mas que as equipes reforçaram o monitoramento das operações, orientando os passageiros em seus deslocamentos.

Segundo o órgão, os 31 terminais de ônibus municipais operam normalmente e não há alagamento no interior desses locais. Entretanto, os ônibus têm dificuldade de transitar pela cidade por causa das vias prejudicadas pelos alagamentos.

Em razão dos pontos de alagamentos intransitáveis, pela manhã os ônibus não circularam em importantes vias como:

  • Av. das Nações Unidas;
  • Av. Marquês de São Vicente;
  • Av. Dr. Chucri Zaidan;
  • Av. Prof Francisco Morato,
  • Av. Pres Castelo Branco;
  • Av. Santos Dumont (Bom Retiro);
  • Av. Nossa Senhora do Ó;
  • Av. Braz Leme;
  • Av. Giovanni Gronchi, Av. Interlagos;
  • Av. Santo Amaro;
  • Av. Miguel Estefno;
  • Av. 11 de Junho.

As garagens da Santa Brígida, que atende às regiões da Lapa, Barra Funda, Pirituba, Jaraguá; e da MoveBuss, que atende às regiões de Sacomã, Sapopemba e Vila Prudente; tiveram atrasos na saída dos coletivos.

Os veículos do Serviço Atende+, da garagem da NorteBuss, tiveram dificuldade na saída entre 5h e 7h15.

Região Metropolitana e Litoral

Choveu forte também em cidades da Região Metropolitana do Estado. Em Itaquaquecetuba, a Defesa Civil precisou usar barcos para resgatar quem ficou preso em casa.

Ferraz de Vasconcelos também teve ruas inundadas. Por causa disso, passageiros tiveram que descer de um trem e houve lentidão na circulação.

Em Osasco, a chuva provocou deslizamento de terra no Morro do Socó, em Osasco, na Grande São Paulo. A gestão municipal afirma que está levantando o número de casas que foram atingidas. Uma menina soterrada em deslizamento foi regatada com vida.

Na Baixada Santista, as cidades também registraram pontos de alagamentos, e, em Botucatu, quedas de barreiras, alagamentos, inundações e quedas de pontes, segundo a Defesa Civil.