Data: 15/03/2016 / Fonte: G1

São Paulo – O Ministério Público de São Paulo pediu explicações ao governo sobre a abertura das comportas da represa Paiva Castro, na manhã desta sexta-feira (14), informou o SPTV. O centro de Franco da Rocha ficou alagado por dois motivos: o temporal e a água dessa represa do Sistema Cantareira.

A cidade fica na área da represa e, com o grande volume de chuva, a Sabesp decidiu abrir as comportas. A companhia disse que tanta água poderia romper a barragem, o que provocaria uma tragédia ainda maior.

Essa não foi a primeira vez que a abertura das comportas da represa provocou estragos no município. Essa ação vem se repetindo ao longo do tempo, em 1987, 2011 e 2015. Por isso, a Promotoria resolveu apurar as responsabilidades pelos danos causados à população.

O Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) quer saber se “houve omissão administrativa por parte da Sabesp, da Cetesb, do DAEE e da Arsesp”. E questiona “a inexistência ou insuficiência de planos de contingência, comunicação eficaz e evacuação para o município, quando da abertura das comportas”.

“Na verdade, um plano de contingencia tem que identificar quais são os riscos inerentes ao próprio desempenho da atividade e apontar soluções, possibilitando naquela porção que seria inevitável a inundação que houvesse o aviso com tempo necessário pra que essas pessoas se removessem em no mínimo preservassem a sua vida”, disse o promotor Ricardo Manuel Castro, do Gaema.

A Sabesp disse que segue um plano de contingência elaborado em 2011 com as defesas civis do estado e dos municípios. “Quando o nível d’água chega a 745 metros e 25 cm, a Sabesp deve avisar a Defesa Civil estadual, e a Defesa Civil estadual avisa, por sua vez, as defesas civis municipais. E assim foi feito, exatamente assim”, disse o presidente da Sabesp, Jerson Kelman.

Em nota, a Defesa Civil Estadual disse que comunicou por mensagem de celular, às 2h45 de sexta, a Defesa Civil Municipal de Franco da Rocha sobre a abertura às 4h30. Isso ocorreu às 6h30.

Lama
Franco da Rocha foi uma das cidades mais atingidas pela chuva na semana passada. Mesmo depois de três dias do temporal, ainda há água e lama pelas ruas da cidade. No total, foram 25 mortes na Grande São Paulo.

Na cidade, 200 famílias ainda não conseguiram voltar para casa, ainda tem gente na casa de parentes e também em abrigos. Por todo o centro, funcionários da prefeitura trabalham com enxadas para retirar a lama. Cinco escolas da cidade seguem sem aula.

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