Data: 21/02/2010 / Fonte: Diário do Nordeste

Fortaleza/CE – Oferecer atendimento médico especializado de emergência em lugares onde circulem a partir de mil pessoas diariamente. Essa é a determinação da Organização Mundial de Saúde (OMS), mas que não é cumprida pelos três terminais rodoviários de Fortaleza – Terminal de Antônio Bezerra, o recém-inaugurado de Messejana e a rodoviária Engenheiro João Thomé, a mais antiga e a que mantém o maior fluxo de passageiros por dia, cerca de 2,5 mil entre embarque e desembarque.

O problema foi denunciado, com exclusividade, pelo Diário do Nordeste na edição da última quinta-feira, dia 18, ao noticiar a morte de um homem dentro do Terminal Rodoviário Engenheiro João Thomé, vítima de parada cardíaca na segunda-feira de Carnaval, 15.

De acordo com a assessoria de imprensa do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE), a rodoviária mantém um grupo de pessoas treinadas, que prestaram os primeiros socorros à vítima naquele dia.

Segundo o médico e clínico geral Osmar Figueiredo, que atende no Posto de Primeiros Socorros (PPS) do Aeroporto Internacional Pinto Martins, a rapidez no atendimento às vítimas de paradas car-diorrespiratórias ou arritmias é decisiva para a morte ou a vida do paciente.

Incerteza

Não se sabe ao certo se o homem que morreu poderia ter sido salvo ou não se tivesse tido acesso ao aparelho desfibrilador ou a uma ambulância com UTI móvel como há no aeroporto Pinto Martins.

Na rodoviária, não existe um posto médico de emergência, um aparelho desfibrilador, bomba de infusão, ventilador mecânico, enfim, todos os equipamentos que podem garantir a sobrevida do paciente até a chegada à emergência.

Somente no aeroporto de Fortaleza, no ano passado, foram efetivados 2.514 atendimentos no PPS, de paradas cardíacas a problemas dos mais variados, como otite e edemas. “São comuns casos nos quais o passageiro precisa descer do voo para ser atendido e não pode seguir viagem. O atendimento precoce nos casos de parada cardíaca é fundamental, e ter o desfibrilador é mais importante ainda, porque garante mais tempo até o procedimento médico completo no hospital”, explica Osmar.

No recém-inaugurado Terminal Rodoviário de Messejana, uma possível vítima de parada cardíaca ou de qualquer outra emergência médica vai precisar contar com muita sorte e com a velocidade da unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

No terminal, segundo o supervisor Hélio Macedo, a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) é a responsável pelo treinamento dos profissionais que vão aprender a prestar os primeiros socorros. Mas isso não tem previsão de acontecer, de acordo com o supervisor.

Em Messejana, os equipamentos disponíveis para um socorro são uma cadeira de rodas, uma cadeira de transbordo para remoção de paciente dentro do ônibus e uma prancha. Em nenhuma das três rodoviárias, existe o equipamento de desfibrilador, essencial para a reanimação do paciente em casos de parada cardiorrespiratória.

Já no aeroporto, passageiros, tripulantes e usuários do terminal tem à disposição uma equipe médica especializada, treinada e pronta para prestar um socorro eficaz. Além do material humano, o gerente de Segurança do aeroporto, Francisco Luiz da Silva Braga, explica que anualmente é realizada uma simulação para medir o tempo de socorro médico e avaliar o nível de qualidade do serviço.

Treinamento

“Trabalhamos com um corpo de voluntários de emergência que recebe treinamento especializado para lidar com várias situações. É um exercício com cerca de 100 pessoas, que mobiliza Detran, emergências de hospitais, Samu, Corpo de Bombeiros, helicóptero do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e outros órgãos para prestar socorro à vítimas numa aeronave. Aqui, a pessoa não morrerá por falta de atendimento”, reforça Francisco Braga.

Números

– 2.514 atendimentos médicos foram realizados no Aeroporto Internacional Pinto Martins no ano passado, segundo levantamento da assessoria de comunicação do terminal.

– 2 ambulâncias, sete médicos, um enfermeiro, oito auxiliares de enfermagem e um socorrista, atendendo 24 horas, é a equipe do Posto de Primeiros Socorros do aeroporto.

Equipamentos

Bomba de infusão para aplicação de medicamentos
Ventilador mecânico
Desfibrilador
Cilindro de oxigênio
Macas retráteis
Cadeiras de rodas desmontáveis para remoção de paciente
Observação: esses são equipamentos necessários a uma unidade de suporte avançado

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