José Schafer / Emater
Data: 09/01/2020 / Fonte: G1

Rio Grande do Sul – A seca continua castigando os produtores rurais do Rio Grande do Sul e, nesta quinta-feira (9), a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural anunciou o encaminhamento de medidas de urgência para auxiliar as lavouras.

Entre elas está o pedido para reduzir o custo do seguro rural e o aumento da cota disponível ao estado junto ao governo federal. O governo estadual também deve solicitar uma aquisição extra de 15 mil sacas de milho.

“Também devemos encaminhar ao governador um pedido para estender o prazo de emissão de licenciamento ambiental do programa Mais Água Mais Renda, que vence em abril. Pelo programa, o licenciamento para um sistema de irrigação é de 30 dias”, explicou o secretário em exercício, Luiz Fernando Rodriguez Júnior.

Estimular a implantação de projetos de irrigação é uma estratégia para contornar futuras estiagens. “Sempre teve restrição hídrica nessa época, e em diversos exercícios não tivemos uma restrição tão severa. Por isso houve uma redução muito substancial na procura pelos projetos de irrigação”, avaliou.

Um comitê formado por entidades rurais foi formado para acompanhar os efeitos da seca e providenciar soluções. “Uma delas é unificar as análises agroclimáticas da secretaria, do Irga e da Emater, elaborando boletins semanais que abordem o impacto das condições climáticas nas culturas do período, de forma que os municípios possam se planejar com informação qualificada”, detalhou o secretário.

Sem estimativa

Não há estimativa preliminar de perdas com a seca porque, conforme o diretor técnico da Emater-RS, Alencar Rugeri, a estiagem ainda está em curso e os dados mudam rapidamente.

Conforme o órgão, porém, é possível verificar perdas maiores no Norte do RS, especificamente em Soledade, Ijuí e Passo Fundo, no caso da soja. As lavouras do Vale do Rio Pardo apresentaram as maiores perdas no caso do milho para silagem. Já em relação ao feijão, os prejuízos se concentram em Soledade.

Das cidades afetadas, 16 já decretaram situação de emergência até o último levantamento divulgado pela Defesa Civil estadual, na tarde desta quinta. Outras 12 cidades tiveram o registro de estiagem.

Municípios em situação de emergência

Chuvisca

Barão do Triunfo

Camaquã

Encruzilhada do Sul

Mariana Pimentel

Pantano Grande

Progresso

Sinimbu

Venâncio Aires

Amaral Ferrador

Cristal

Passo do Sobrado

Ponte Preta

Boqueirão do Leão

Santa Cruz do Sul

Vale do Sol

Situação da seca pelo estado

Chuvisca
A cidade de Chuvisca tem cerca de 5 mil habitantes e 95% da população vive da agricultura. Conforme relatos dos moradores, 50% da produção de milho, 40% da produção de fumo e 45% da produção de feijão já foi perdida.

Segundo a Emater, no mês de outubro choveu acima da média, o que fez com que os nutrientes fossem carregados e as raízes não desenvolvessem. Já em novembro e dezembro choveu apenas 50 milímetros, quando o necessário é pelo menos 150 milímetros.

Os prejuízos passam de R$ 20 milhões de reais, já que, com a perda na qualidade do produto, ele terá de ser vendido mais barato.

Bom Retiro do Sul

A cidade tem registro de perdas em lavouras e falta de água para pessoas e animais. São cultivados cerca de 250 hectares de soja, 1.300 hectares de silagem e 140 hectares de grão de milho. Há ainda unidades produtoras de peixe, leite, carne de corte, fruticultura e olericultura, entre outros cultivos.

Tupanciretã

A cidade tem como principal cultura a soja. Porém, um levantamento com 22 cooperativas estima em 33% de perda na safra do milho e de 13% da soja.

Na safra passada, a produção foi de 60 sacas por hectares. Neste ano, com a falta de chuva, não deve passar das 40 sacas.

“A R$ 80, dá uma quebra de faturamento superior a R$ 275 milhões. Isso signficia desemprego, dificuldades de acessar novos créditos. Alguns, provavelmente, vão à falência”, diz o presidente do sindicato rural, Gustavo Herter Terra.

Nos próximos dias, a cidade também deve decretar situação de emergência.

Serra

A produção de uvas será afetada em 30%, estimam os produtores da Serra. Não há chuvas há mais de um mês. A uva, que deveria estar praticamente pronta, está murchando, secando completamente. Até os galhos estão morrendo.

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