Crédito: Gilberto Firmino

Por Paula Barcellos/Jornalista da Revista Emergência

Em abril de 2020, em paralelo ao início da pandemia no Brasil, foi criada a CE (Comissão de Estudos) de Vestimentas para Riscos Biológicos no CB-32 (Comitê Brasileiro de Equipamentos de Proteção Individual) da ABNT que está elaborando uma norma técnica brasileira específica que defina métodos de ensaio e requisitos de desempenho para vestimentas de proteção contra agentes infecciosos destinadas a profissionais do ramo da saúde e resgate.  “Elas permitem, além da proteção ao usuário, evitar a propagação de doenças. E não é só Covid-19, são inúmeros vírus, bactérias e fungos que se propagam por diversos meios como líquidos, aerossóis, partículas”, diz Xavier Bihan, engenheiro politécnico, consultor técnico e coordenador da Comissão.

Atualmente, não existe uma norma técnica brasileira, e nem internacional, que defina tais métodos e requisitos para avaliar o desempenho destas vestimentas. “A norma elaborada no Comitê é o primeiro passo para que sejam estabelecidos os critérios mínimos para receber o certificado de vestimenta de proteção contra agentes patógenos. Além dos critérios mínimos, a ambição da norma é informar sobre diferentes classes de desempenho (proteção biológica, resistência mecânica e respirabilidade) para que os usuários possam escolher o nível adequado a sua atividade”, diz o coordenador. Enquanto não se tem uma uma norma presente no mercado, segundo Bihan, os profissionais devem escolher os EPIs baseados na análise de risco, que pode abranger potenciais agentes patógenos, risco mecânico, risco de hipertermia, além da inocuidade dos tecidos e durabilidade da vestimenta.

EXPECTATIVA

Segundo Bihan, este tipo de norma demora a ser criada, especialmente quando não existe uma norma internacional ISO a ser transposta em norma brasileira por meio de tradução fiel, como é o caso das normas ISO que são traduzidas em ABNT NBR ISO. “Não existe uma norma ISO para vestimentas de proteção contra agentes patógenos e é mais uma demonstração de que o mundo não estava preparado para esta pandemia. Existe apenas uma antiga norma europeia EN 14126, que possui diversas falhas, mas que podemos utilizar como ponto de partida”, revela.

Devido à urgência da pandemia, a Comissão de Estudos está trabalhando em um ritmo mais acelerado que as outras comissões de normas, conforme o coordenador. “Já fizemos 25 reuniões, mas ainda faltam algumas para finalizar. Finalmente, a norma sendo publicada, as vestimentas poderão ser certificadas em laboratórios e o Ministério do Trabalho poderá exigir o CA para este risco também, pois hoje existe CA apenas para luvas no caso do risco biológico”, explica. Ele exemplifica que serviços como o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) podem ser beneficiados com esta norma.

“Uma vez que estes resgatistas atendem vítimas infectadas pelo vírus da AIDS, hepatites, entre outras infecções contagiosas, esta norma poderá ajudar o Ministério da Saúde, caso tenha interesse em tornar o uniforme do SAMU um EPI que proteja destes agentes”, afirma.

LIVE

Sobre esta temática, no dia 12 de agosto, a Animaseg Talks realizou a live Serviços de Saúde xcoronavírus – Vestimentas de proteção oferecem resistência à penetração de vírus? No debate, além de Xavier Bihan, participou a médica do Trabalho e diretora do SESMT do Hospital Emílio Ribas, Rozania S. S. Sobreira. A live pode ser visualizada abaixo:

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