Crédito: Defesa Civil Estadual de SP

Por Bruna Klassmann/Jornalista da Revista Proteção

Após a tragédia que ocorreu no início do mês de março, na Baixada Santista, atingindo, principalmente, as cidades de Santos, São Vicente e Guarujá, as Defesas Civis Municipais e a Defesa Civil Estadual realizaram ações nas comunidades afetadas pelas chuvas.

Crédito: Divulgação/Prefeitura de Guarujá

Entre as ações municipais, as Defesas Civis de Santos e Guarujá interditaram moradias em áreas de risco, após os deslizamentos ocorridos nos dias 2 e 3 de março. Esse trabalho iniciou dias depois do registro das ocorrências na região. Em Santos, foram pelo 255 imóveis interditados com aplicação de adesivo e demarcação com tinta spray pelos Técnicos da Defesa Civil, acompanhados por representantes da Cohab (Companhia de Habitação da Baixada Santista) e da Guarda Civil Municipal.

Já, no Guarujá, ao menos 850 moradias foram interditadas e 50 foram demolidas. Ambas as ações, foram feitas conforme critérios técnicos que determinam se as casas possuem condições de serem habitadas. Essas medidas levam em conta a instabilidade do terreno, trincas e rachaduras, distância entre a moradia e a encosta, escorregamentos antigos e dano estrutural.

Já, a Defesa Civil Estadual de São Paulo, de acordo com a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, disponibilizou logo após os deslizamentos, 38,5 toneladas de materiais de ajuda humanitária aos municípios afetados, sendo eles: colchões, cobertores, cestas básicas, roupas, água sanitária, kits de limpeza, kits de higiene, água potável, entre outros materiais.

TRABALHO

A preocupação com as chuvas na Baixada Santista já haviam começado no dia 28 de fevereiro, quando a Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu um Boletim Especial de Chuva. A informação era para a população e os agentes municipais de Defesa Civil da região que, entre domingo, dia 1º de março, e terça-feira, dia 3 de março, havia condição de chuvas intensas acompanhadas de descargas elétricas, fortes rajas de vento e acumulados elevados, aumentando o risco para transtornos como inundações e deslizamentos, pois o solo da Baixada Santista estava saturado pelas chuvas anteriores. E, entre a noite da segunda, dia 2, e a madrugada da terça, dia 3, foram disparados 12 alertas via SMS 40199 para a população cadastrada na Baixada Santista, informando sobre os riscos.

Crédito: Defesa Civil de SP

De acordo com a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, a partir das primeiras informações sobre os transtornos causados pelas fortes chuvas na Baixada Santista, a Defesa Civil Estadual encaminhou técnicos para o local imediatamente. A partir disto, acompanhou de perto todos os trabalhos realizados nas cidades atingidas, com equipes 24 horas atendendo as demandas necessárias, apoiando de perto e avaliando as necessidades, assim como apoiando a atuação das equipes de salvamento do Corpo de Bombeiros e reforçando as equipes das Defesas Civis Municipais, acionando, para tanto, o Instituto Geológico (IG) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a fim de vistoriarem e avaliarem as áreas afetadas e monitorarem os riscos nos locais de buscas.

Conforme a nota publicada no site do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), para fins de comparação, a precipitação observada na região da Baixada Santista entre os dias 2 e 3 de março foi superior àquela registrada na região Serrana do Rio de Janeiro em 2011. Além disso, a população na Baixada Santista é aproximadamente o dobro daquela da região Serrana. A tragédia de 2011 causou a morte de mais de 900 pessoas, além de mais de 300 desaparecidos.

Ainda de acordo com a nota, vale ressaltar que a partir desta tragédia, o Brasil passou a contar com um Sistema Nacional de Gestão de Riscos e Respostas a Desastres, cuja meta é atenuar os impactos de eventos extremos na sociedade. Então, conforme o Cemaden, as instituições integrantes desse sistema (nacionais, estadual e municipais) atuaram cooperativamente no recente evento que impactou a população na região da Baixada Santista. Particularmente as ações de resposta das Defesas Civis Municipais das cidades atingidas e da Defesa Civil do Estado de São Paulo foram essenciais para mitigar os impactos dos desastres que ocorreram durante a madrugada nas cidades atingidas pelas chuvas.

AÇÕES FUTURAS

Conforme a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil, com relação às ações futuras, cabe salientar que a Defesa Civil Estadual apoia, suplementarmente, as cidades que solicitam ajuda para o mapeamento de suas áreas de risco. As prefeituras têm a responsabilidade legal de identificar esses locais, fiscalizar o uso e ocupação do solo e desencadear ações preventivas para eliminar ou mitigar o risco nessas áreas, conforme prevê o artigo 8º da Lei 12.608/12 e incisos. Atualmente, há 665 mapeamentos de áreas de risco, que abrangem 313 municípios do Estado.