Crédito: Globocop

Fonte: G1

Com estragos provocados pela chuva em diversos pontos da cidade, os telefones da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec) não param de tocar. No janeiro mais chuvoso da história da cidade, o órgão registrou 4.252 chamados da população, cerca de 3,2 mil ocorrências a mais do que em janeiro do ano passado.

De acordo com dados divulgados pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD) nesta segunda-feira (3), nos últimos dias, foram 3.153 solicitações. Mas com tanta demanda, 1.217 solicitações ainda estavam em atendimento ou aguardando o envio de uma equipe. A Defesa Civil esclarece que esses números se referem do dia 20 janeiro até esta segunda-feira (3).

Entre essas solicitações, estão, por exemplo, chamados para vistoria de trincas, deslizamento de encostas e de queda de muro. Esse último tipo de ocorrência preocupa moradores de um prédio no Conjunto Califórnia II desde o dia 24 de janeiro, quando a chuva provocou muitos estragos e mortes na Região Noroeste da capital. Quem vive no imóvel diz que há 12 dias espera uma resposta da Defesa Civil.

A assistente social Ângela Márcia Nogueira conta que o muro de contenção do edifício caiu, soterrando o carro dela e o veículo de um vizinho.

À espera de uma vistoria e de orientações, os moradores vivem sob a insegurança diante da possibilidade de novos temporais e dizem não saber o que fazer.

Nós ficamos apreensivos, principalmente eu que moro aqui no primeiro andar. Ficamos com medo de o barranco cair e atingir nosso prédio. Não sei qual seria a dimensão desse estrago se esse barranco ceder novamente porque a chuvas estão vindo e tem previsão de chuva mais forte

diz Ângela.

Segundo ela, uma vizinha que também mora no primeiro andar, passou a dormir na sala, com medo de que o quarto seja atingido em um eventual novo desabamento.

Ângela diz que chegou a pensar em sair de casa. “A gente não quer incomodar parente e não quer ir para hotel. Nós queremos que seja resolvido o caso”, afirma.

De acordo com a aposentada Maria Alice de Oliveira Tavares, logo após o desabamento, os moradores começaram a ligar para Defesa Civil e, somente depois de cerca de 3 horas, a ligação foi atendida. Naquela noite, a informação era que havia cerca de mil pedidos na frente.

A assessoria da Defesa Civil disse que uma vistoria está agendada para esta terça-feira (4) no local.

O subsecretário de Proteção e Defesa Civil, coronel Waldir Vieira ressalta que, em casos em que moradores percebam uma situação de risco, o melhor é se afastar do local.

“As pessoas podem também contratar os profissionais que elas entenderem que são competentes e que são capazes de dar uma resposta. A interdição feita pela Defesa Civil em muitos locais é preventiva. Ela tem o objetivo de dar às pessoas um conhecimento básico de que elas precisam ter cautela, que elas não podem se aproximar e que elas precisam da assessoria de um profissional habilitado”, diz. Ele ainda esclarece que a Defesa Civil não faz trabalhos de reconstrução em áreas particulares.

O coronel garante que todos os pedidos serão atendidos, mas pede paciência à população. Segundo ele, as áreas de prioridade, neste momento, são onde há identificação de riscos para a vida.

“A Defesa Civil vai chegar nesses locais. Vamos atender todos os pedidos. Nós vamos fazer as vistorias, mas queremos primar pela qualidade dessa avaliação”, afirma. Segundo ele, para dar conta da demanda, além dos engenheiros da prefeitura, engenheiros voluntários estão auxiliando nos trabalhos.