Crédito: CBMMG

Fonte: CBMMG

Após 21 dias de ajuda humanitária no Haiti, país devastado no mês de agosto por um terremoto de magnitude 7.2, a comitiva brasileira formada por bombeiros de Minas, Brasília e militares da Força Nacional, retornou ao Brasil nesta segunda-feira (13).

Foram 21 dias de intensos trabalhos humanitários em meio a comunidades que foram completa ou parcialmente destruídas, enfrentando dificuldades nos deslocamentos e nas estruturas precárias que restaram após o terremoto.

Os bombeiros mineiros, capitão Tiago Silva Costa, tenente Rafael Rocha, sargento Wesley Bernardes Faria e sargento Thales Leite Braga, atuaram de forma integrada com os bombeiros do Distrito Federal e da Força Nacional em ações de busca em estruturas colapsadas, na desobstrução de vias, construção de pontes e acessos, distribuição de alimentos, primeiros socorros a feridos, demolição de estruturas comprometidas, construção de abrigos, entre outras atividades.

Sempre ao final das ações, os militares eram instruídos pela equipe de Segurança de Saúde, sobre os cuidados pessoais e cuidados compartilhados para minimizar o risco de contaminação e contágio de doenças endêmicas nas regiões de atuação.

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A inexistência de água potável nas comunidades, uma preocupação constante, levou os militares a realizar a instalação de purificadores de água em vários postos de atendimento para minimizar e evitar problemas de saúde entre o povo haitiano.

Durante esses dias de atuação no Haiti, os militares tiveram acesso a histórias tristes, contemplaram muita desolação, destruição e abatimento por parte do povo, mas também tiveram a oportunidade de fazer a diferença e mudar de alguma forma a realidade das comunidades pelas quais passaram.

Construindo pontes que unem povos

Uma das histórias que marcaram os militares mineiros foi o caso de uma ponte construída em 2009, quando o Frei Lori, mobilizou dezenas de colaboradores para edificá-la. A necessidade de garantir o acesso das crianças à escola fazia com que o Frei as carregasse no colo, de um lado ao outro do rio. Não por falta de disposição, mas a transposição do rio a pé e em tempos de cheia não era uma logística muito segura.

Por mais que o objetivo principal estivesse relacionado à educação das crianças, muitos encontros foram possíveis depois que a ponte foi construída. O encontro entre mestre e aluno foi apenas um deles.  

Em 2016, com a passagem de um grande ciclone na região, a estrutura da ponte foi abalada e alguns cabos se romperam. Até então, havia dificuldade para se passar de um lado para o outro, mas essa história tomou um novo rumo com a ajuda dos brasileiros.

A revitalização da ponte não foi um ganho apenas para os haitianos, mas acima de tudo, alimentou os corações dos militares com um sentimento que se fez presente durante todos os dias em que estiveram na missão. O sentimento de fazer a diferença fomentou em nossos militares a gratidão de poder ajudar o próximo em mais uma jornada humanitária. 

Principais atividades pós-desastres realizadas pela equipe multidisciplinar brasileira, em resposta emergencial ao terremoto

– Atividades humanitárias pós-desastre em Les Cayes, Camp-Perrin, Chantal, Pointe l’Abacou, Saint-Jean-du-Sud e Torbeck, no Departamento Sul; em Petit-Trou-de-Nippes, no Departamento de Nippes; e em Corail e Pestel, no Departamento de Grand’Anse;

– Vistorias para avaliação de estruturas; reforço de estruturas danificadas; demolição controlada de edificações condenadas; montagem de estruturas de madeira com cobertura de lonas; centenas de atendimentos médicos a feridos pelo sismo e a outros doentes necessitados; apoio à distribuição de toneladas de cestas básicas, “kits” de higiene e bens de primeira necessidade; e remoção de caixa-d’água e reinstalação para restabelecer a capacidade de armazenamento e distribuição local;

– Busca de medicamentos em depósito condenado de posto de saúde danificado, e cujas estruturas foram reforçadas em Corail;

– Ação conjunta com os Cascos Blancos, da Chancelaria argentina, em Corail para avaliação estrutural de Hospital Saint Pierre, reformado e equipado com recursos argentinos, em 2013, com escoramento temporário de paredes com madeira até o reparo definitivo, e realizar atendimentos médicos;

– Recuperação de 3 sinos e 1 lustre antigos de uma igreja histórica cujas estruturas estão condenadas, em Corail;

– Ações conjuntas com a ONG coreana “Development for Freedom International – DFI” e a Prefeitura de Les Cayes para apoiar a distribuição cestas básicas, “kits” de higiene e bens de primeira necessidade;

– Vistoria da estrutura de ponte de madeira desativada desde 2016, com prejuízos à comunidade local, inclusive escolas, e reforma para sua reabertura, em Pointe l’Abacou com apoio e doação de cabos de aço, abraçadeiras, presilhas e madeiras por parte de congregação religiosa local;

– Apoio a obras missionárias brasileiras nas áreas atingidas pelo sismo: da sede de Novo Hamburgo (RS) da Congregação das Irmãs de Santa Catarina;

– Instalação dos purificadores de água doados pela ABC/MRE em Torbeck e em Pointe l’Abacou;

Os agentes foram intercalados nos dias estabelecidos, onde tiveram instruções teóricas e práticas, visando técnicas de intervenções, caso seja necessário, diante da realidade de logísticas no que tange aos equipamentos em suas viaturas. Sendo assim, receberam instruções de nós e amarrações utilizados nesse tipo de operação, formas de adentramento em inundações de maneira segura, lançamento de “saco de arremesso” para o resgate de vítimas entre outras atividades.

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