Crédito: Arte sobre foto / 123RF

Fonte: Jornal USP

No Brasil, segundo dados do IBGE, quase 30 milhões de pessoas têm mais de 60 anos. Cerca de 16 milhões conta com algum tipo de deficiência visual ou auditiva, e 4,2 milhões dessas pessoas moram sozinhas. E isso pode dificultar o acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em caso de emergência. Para atender essa parcela da população, o enfermeiro Diego Santiago Montandon, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, desenvolveu a Plataforma Eletrônica de Socorro nas Urgências (e-SU).

O aplicativo é adaptado para acionar socorro pré-hospitalar de forma mais rápida e prática. A ideia do projeto surgiu da própria experiência de Montandon como enfermeiro, que ao perceber a dificuldade resolveu investigar a real situação dessas pessoas. Durante seu mestrado na EERP, ele avaliou dados de geoprocessamento de pedidos de socorro realizados por pessoas com mais de  60 anos e com deficiência em Ribeirão Preto. “Foi quando verifiquei que elas também não conseguiam ser tão bem atendidas”, conta o pesquisador. 

Montandon decidiu, no doutorado, desenvolver um aplicativo para celular que desse autonomia a esse público durante situações de emergências. O e-SU possibilita chamar o Samu, enviando a exata localização do celular. Segundo o pesquisador, o app também envia ao  serviço de urgência fotos, vídeos, mensagens de texto e oferece comunicação audiovisual comum, permitindo um atendimento mais eficaz e adequado à condição do paciente.

Crédito: Reprodução/EERP

Para além do pedido de socorro, garante Montandon, ao ser instalado, o e-SU tem acesso aos locais que o paciente mais frequenta, da localização de seu dispositivo celular, além da idade, se mora sozinho e se é portador de deficiência auditiva ou visual. O pesquisador afirma que “com o decorrer do tempo, o aplicativo vai se adaptando conforme as necessidades da pessoa e, se ela desejar, ela própria pode atualizar o sistema.”

O aplicativo e-SU já foi aprovado em testes com peritos, empresários da área de desenvolvimento de softwares para telefonia móvel e por 21 pessoas da população-alvo. Atualmente, encontra-se em fase de registro na Agência USP de Inovação. “Depois dessa etapa, serão necessários novos recursos financeiros para desenvolver o protótipo de alta fidelidade, o qual terá de ser avaliado novamente antes de ser lançado ao público.”

O desenvolvimento do aplicativo foi feito durante o doutorado de Montandon Construção e avaliação de um protótipo de software aplicativo de telefonia móvel para acessibilidade nas solicitações de socorro pré-hospitalar, com orientação da professora Simone de Godoy Costa, no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Fundamental da EERP, defendido em dezembro de 2020.

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