Ilustração: Beto Soares/Estúdio Boom

Afogamento é um processo fisiológico de aspiração de líquido não corporal por submersão ou imersão, que pode conduzir à hipóxia (falta de oxigênio nos tecidos) e à parada cardíaca. O afogamento pode ser fatal (quando há morte) e não fatal (quando a vítima sobrevive com ou sem sequelas),  podendo ser interrompido e não levar à morte. Uma das técnicas utilizadas no primeiro atendimento à vítima de afogamento é o RCP (Ressuscitação Cardiopulmonar). A seguir, como identificar o grau de um afogado e o que fazer durante o resgate:

Classificação do afogamento

  • Grau 1: a vítima só tosse e pode ser liberada do local;
  • Grau 2: a vítima tem pouca espuma na boca e/ou nariz;
  • Grau 3: a vítima apresenta muita espuma na boca e/ou nariz e tem pulso radial;
  • Grau 4: a vítima apresenta muita espuma na boca e/ou nariz e não tem pulso radial;
  • Grau 5: se encontra em parada respiratória;
  • Grau 6: se encontra em parada cardiorrespiratória.

RCP

  • Diferente da RCP tradicional, as tentativas de RCP no afogado devem continuar por, no mínimo, uma hora após o início, devendo ser iniciada mesmo que a vítima tenha ficado até uma hora na água sem respirar.
  • O Suporte Avançado de Vida deve estabilizar o paciente no local e não encaminhar ao hospital imediatamente.

O que fazer (profissionais ou leigos com treinamento)

  • Interrompa o processo de afogamento imediatamente, fornecendo flutuação e evitando a submersão;
  • Realize dez ventilações na vítima ainda na água, desde que haja condições de execução desta manobra;
  • Após, retire a vítima da água e a coloque em uma superfície plana e dura, realizando mais cinco ventilações;
  • Inicie a RCP. Se disponível, conecte o DEA. Apesar de o afogamento ter causa fisiológica em asfixia e hipóxia com normalmente ritmo em assistolia, o DEA deve ser utilizado em todas as vítimas em PCR, lembrando que nos afogados secundários há a chance de ter sido devido a uma patologia cardíaca ou cerebral;
  • Para um socorrista, a RCP é de 30 x 2 em vítimas de todas as idades. Para dois socorristas é 15 x 2;
  • No Grau 6 pode ocorrer a encefalopatia anóxica e a prioridade no afogado seriam as ventilações com oxigenação.

Devem ser mantidas as tentativas até a chegada do Suporte Avançado de Vida. Temos casos no Brasil de vítimas que ficaram submersas de 26 a 56 minutos e após uma hora de RCP houve sucesso nas manobras com RCE (Retorno de Circulação Espontânea).

Fonte: SubTenente BM Juliano de Figueiredo Silvério Alves, do CBMMG; Enfermeiro especialista em Urgência/Emergência e APH; Instrutor Sobrasa e Instrutor LifeGuard NAUI.

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