Crédito: Arquivo pessoal de Emanuel Pastl

Especialista em SCI e sobrevivente do incêndio na boate Kiss relembra a tragédia e fala sobre os desafios da prevenção contra incêndio no Brasil

Sobrevivente da tragédia na boate Kiss, Emanuel Pastl recorda de tudo naquela fatídica noite de 27 de janeiro de 2013, em que celebrava o aniversário dele e de seu irmão gêmeo, Guilherme, junto a amigos, na respectiva casa noturna. Desafios como a dificuldade de evasão da boate e as deficiências na prevenção e combate a incêndio do estabelecimento estão vivos em sua memória e foram relatados em quase duas horas de depoimento dado como uma das testemunhas do julgamento da boate, ocorrido em dezembro de 2021.

A riqueza dos detalhes em seu depoimento sobre a boate contou com o auxílio de sua especialização em SCI (Segurança Contra Incêndio), realizada alguns anos depois da tragédia. Segundo ele, a atuação na área não foi determinada pelo incêndio, porém, ele é um fator importante hoje em seu trabalho. “Por toda esta experiência, isto é um fator que pesa quando eu tomo minhas decisões profissionais”, diz.

Nesta entrevista, o engenheiro fala sobre a tragédia, os desafios da prevenção contra incêndio no país, seu trabalho pelo desenvolvimento do mercado de proteção passiva e como em meio à luta pela vida conheceu sua esposa, Mirélle, enfermeira responsável por seus cuidados.

PERFIL

EMANUEL DE ALMEIDA PASTL        

É graduado em Engenharia, Mineração e Engenharia de Minas, em 2016, pela UFRGS (Universidade Federal do RS) e especializado em Engenharia de Segurança do Trabalho, em 2019, pela Ulbra (Universidade Luterana do Brasil) e em Engenharia de Segurança Contra Incêndio, em 2020, também pela UFRGS. Atuou e atua em empresas da área de Segurança Contra Incêndio, é colaborador técnico do Grupo de Trabalho de Selagem Resistente ao Fogo para norma ABNT e associado da ABPP (Associação Brasileira de Proteção Passiva). É palestrante convidado em cursos, em entidades e em órgãos do setor para falar sobre sua experiência como sobrevivente da boate Kiss, no âmbito técnico, baseado nas medidas de proteção e prevenção contra incêndio.

ESTAMOS A QUASE 10 ANOS DA TRAGÉDIA DA BOATE KISS, QUE TEVE REPERCUSSÃO MUNDIAL. EM SUA OPINIÃO, ESTE INCÊNDIO MEXEU COM A SCI BRASILEIRA? DE QUE FORMA?

Na minha visão, em primeiro lugar, ocorreu uma mudança legislativa, principalmente nos estados. Aqueles que estavam defasados atualizaram a legislação como, por exemplo, o Rio Grande do Sul, que estava com uma legislação muito antiga, de 1997, e bem desatualizada em comparação a outros estados que estavam mais evoluídos como São Paulo. Então, depois da Kiss, ainda em 2013, o estado gaúcho acabou tendo toda uma legislação nova. Na sequência, em março de 2017, veio a Lei Federal 13.425, chamada Lei Kiss, que dá as diretrizes gerais de proteção contra incêndio: quem são os responsáveis, quais são os papéis de cada órgão, das prefeituras, dos corpos de bombeiros. Além disto, traz as necessidades das universidades terem dentro das grades curriculares o ensino de proteção contra incêndio. Então, a Kiss teve uma mudança neste sentido mais legislativo. Agora, na minha visão, pois eu trabalho no setor de proteção contra incêndio, não ocorreu ainda uma mudança cultural. Aconteceu nos primeiros meses após a Kiss em casas noturnas ou em eventos com atendimento ao público. Mas, em geral, não ocorreu uma mudança cultural em que as pessoas mudaram a visão e começaram a ter uma preocupação realmente com a proteção contra incêndio.


Confira a entrevista completa na edição de maio/julho da Revista Emergência.

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