Crédito: Rubens Nemitz Jr.

Por Paula Barcellos/Editora e Jornalista da Revista Emergência

Primeira médica do BPMOA/PR que participou de um resgate utilizando a técnica de rapel fala sobre a importância do treinamento em equipe para o sucesso nas ocorrências

Há pouco mais de um ano, a médica Michele Mamprim Grippa Cavassim participou de um resgate até então inédito na equipe do BPMOA (Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas) no Paraná. Foi a primeira vez que um integrante da equipe da saúde do Batalhão utilizou o rapel para realizar o atendimento pré-hospitalar de uma vítima em uma aérea de difícil acesso, otimizando o tempo-resposta. O procedimento é autorizado pela regulamentação RBAC-90 da Agência Nacional de Aviação Civil que exige que em uma unidade aérea pública a equipe da saúde esteja treinada e capacitada por meio de um curso específico para realizar este tipo de atendimento. “O importante é que este é um recurso que agora a população do Paraná dispõe, para que, em uma ocorrência em local de difícil acesso que exija a presença de um operador de suporte médico, o atendimento já possa ser iniciado, sem perder tempo”, destaca Michele.

Atuando também no SIATE (Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência) de Curitiba desde 2010, o APH é uma paixão desde os tempos da residência em Cirurgia Geral quando recebia no Hospital Universitário Cajuru as vítimas de trauma atendidas pelo serviço pré-hospitalar curitibano. “Meus olhos brilhavam com os colegas chegando. A partir daí, ainda na residência, eu comecei a correr atrás para um dia ser uma médica do SIATE”, relembra. O envolvimento com o serviço a levou mais longe. Através do SIATE conheceu o WRC (World Rescue Challenge), uma das principais competições de APH e resgate no mundo, consagrando-se vencedora de duas etapas nacionais da categoria Trauma, junto ao enfermeiro Luiz Marcelo Gaudêncio, e representando o Brasil nas etapas mundiais.

Seja no BPMOA ou no SIATE, nesta entrevista, Michele enfatiza que treinamento e trabalho em equipe são ingredientes muito importantes para o sucesso de todos os atendimentos. Confira a entrevista exclusiva.

PERFIL
MICHELE MAMPRIM GRIPPA CAVASSIM

Formada pela Faculdade de Medicina na PUC/PR, em 2004, Michele fez residência em Cirurgia Geral, de 2005 a 2007, no Hospital Universitário Cajuru, e em Cirurgia Plástica, de 2007 a 2010, também no mesmo Hospital e na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba/PR. É médica do SIATE (Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência) de Curitiba desde 2010 e OSM (Operadora de Suporte Médico) do BPMOA (Batalhão da Polícia Militar de Operações Aéreas) do Paraná desde 2017. Também é pós-graduanda em Transporte e Resgate Aeromédico na Faculdade Inspirar, em Curitiba. Tem capacitações em ATLS (Advanced Trauma Life Support), PHTLS (Prehospital Trauma Life Support), ACLS (Advanced Cardiovascular Life Support) e PALS (Pediatric Advanced Life Support). Faz parte da equipe do Ground School – Resgate Aeromédico ministrando aulas téoricas e foi palestrante no último Congresso Brasileiro de Medicina Aeroespacial. Foi vencedora de duas etapas nacionais da categoria Trauma no WRC (World Rescue Challenge), junto com enfermeiro também do SIATE Luiz Marcelo Gaudêncio, representando o país nas etapas mundiais do Desafio.

COMO E POR QUE SURGIU SEU INTERESSE EM ATUAR NA ÁREA DE RESGATE E APH?

Eu fiz os seis anos de graduação em Medicina na PUC Paraná e as duas residências, de Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica, no Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, que é um dos três grandes hospitais na região que é referência para trauma. Quando eu fazia residência de Cirurgia Geral atendia a sala de emergência e via os colegas do SIATE trazendo as vítimas de trauma.  Eu sempre gostei da área de trauma, então, quando eu via os colegas trazendo as vítimas sempre muito bem atendidas pensei: também quero fazer o pré-hospitalar. A partir daí, ainda na residência, eu comecei a correr atrás para um dia ser uma médica do SIATE. Não é um processo rápido. Os médicos do SIATE são todos concursados. Então, assim que surgiu a oportunidade de fazer concurso eu fiz e no mesmo mês em que eu terminei a residência em Cirurgia Plástica eu entrei no SIATE. Eu sempre soube que minha vida seria dividida entre estas duas áreas bem diferentes: uma parte que eu preciso de rotina, que é a Cirurgia Plástica, e a outra o APH, que é completamente sem rotina. E eu me identifico muito com estas duas frentes que eu tanto gosto.  Muitas pessoas saem da faculdade com a ideia de que o APH é um “bico”. E para mim não é. Ele é uma das minhas frentes de trabalho, pois era um sonho meu. Até hoje, no SIATE, tenho colegas que atuam desde a sua criação há 31 anos. Isto é muito importante porque muda a qualidade do atendimento. Eu estudo, eu me dedico, eu faço cursos, eu gasto dinheiro, gasto tempo me dedicando ao APH porque a literatura mostra a importância de um atendimento bem feito antes da chegada da vítima no hospital, mudando a sobrevida e prognóstico.


Confira a entrevista completa na edição de março/abril da Revista Emergência.