Crédito: Arquivo Pessoal MAJ BM Mouta

Por Paula Barcellos/Editora e Jornalista da Revista Emergência

Coordenador do Centro Estadual de Gerenciamento de Emergência Nuclear do RJ fala sobre a estrutura e preparo brasileiro para emergências nucleares e radiológicas

O ano de 2021 marcou os 10 anos de um dos maiores acidentes nucleares da história. No dia 11 de março de 2011, um terremoto com magnitude de 9,1 graus na escala Richter, seguido por tsunami, provocou vazamento radioativo e explosões na usina nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão, deixou mortos e feridos e fomentou um alerta mundial sobre a segurança nuclear.

Apesar de acreditar, com base em estudos do setor, que o Brasil não passe por tragédia semelhante, o Major BM Giovanni Mouta Giglio, coordenador do CESTGEN (Centro Estadual de Gerenciamento de Emergência Nuclear), da SEDEC/RJ (Secretaria de Estado de Defesa Civil do Rio de Janeiro) alerta que “os aspectos de segurança das instalações nucleares são dinâmicos, sofrendo avaliações periódicas, e seus níveis de proteção podem ser revistos com a implementação de medidas adicionais”. Nesta entrevista, o Major BM Mouta fala sobre a realidade brasileira das emergências nucleares e radiológicas, a estrutura de atendimento e as ações do Centro.

PERFIL
GIOVANNI MOUTA GIGLIO

Major BM Mouta ingressou no CBMERJ (Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro) em 2004. De 2010 a 2014, fez Licenciatura em Química, na UFRJ ( Federal do Rio de Janeiro), o que o levou a tentar aplicar os conhecimentos nesta área com as atividades realizadas no Corpo de Bombeiros. Atuou no antigo GOTA (Grupamento Operacional de Tecnologias Avançadas), o que lhe proporcionou realizar o COPP (Curso de Operações com Produtos Perigosos) e chegar até o Subcomando do GOPP (Grupamento de Operações com Produtos Perigosos), uma unidade especializada do CBMERJ com recursos humanos e materiais adequados para responder a sinistros de natureza química, biológica, nuclear e radiológica, com a devida proficiência, em todo o Estado do Rio de Janeiro. O interesse pelo tema só aumentou com o tempo, o que o levou a especializações como Capacitação na Prevenção e Enfrentamento das Ameaças Assimétricas e na Defesa Nuclear, Biológica, Química, Radiológica e Explosivos – NBQRE, Cursos Internacionais de Resposta a Emergências com Produtos Perigosos, Curso de Ações de Respostas a Emergências Radiológicas, dentre outros. Em 2019, recebeu o convite para assumir o CESTGEN (Centro Estadual de Gerenciamento de Emergência Nuclear), da SEDEC/RJ (Secretaria de Estado de Defesa Civil do Rio de Janeiro), na função de coordenador, a qual exerce atualmente como principal atividade.

COMO O SENHOR SE INTERESSOU PELA ÁREA DE EMERGÊNCIA NUCLEAR E RADIOLÓGICA?

Antes de ser bombeiro militar, nunca cheguei a pensar especificamente em exercer uma atividade voltada para a área de emergências, muito menos envolvendo a parte nuclear ou radiológica. Mas durante um curso preparatório militar, quando fui discente de um excelente professor de Química, começou meu interesse nesta ciência. Minha graduação de Licenciatura em Química, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, foi concomitante com meu início de carreira no CBMERJ, o que me levou a intensificar meu gosto pelo tema e tentar aplicar, compartilhar e convergir os conhecimentos que estavam sendo adquiridos com as atividades realizadas no Corpo de Bombeiros. A primeira Unidade do CBMERJ que trabalhei foi o antigo GOTA (Grupamento Operacional de Tecnologias Avançadas).  Servindo neste quartel, tive a oportunidade de me inscrever e realizar o COPP (Curso de Operações com Produtos Perigosos) do CBMERJ, no qual o militar concluinte possui conhecimentos técnicos específicos para realizar e gerenciar um atendimento aos acidentes/emergências de natureza química, biológica, nuclear e radiológica. Durante a realização do COPP, fui transferido, passando a integrar o GOPP (Grupamento de Operações com Produtos Perigosos), que é uma unidade especializada do CBMERJ com recursos humanos e materiais adequados para responder a esse tipo de sinistro, com a devida proficiência, em todo o Estado do Rio de Janeiro. De lá pra cá, meu interesse pelo tema foi aumentando, e procurei me especializar, tendo a oportunidade de realizar diversos outros cursos na corporação militar e em ambiente civis, operacionais e na área de ensino. Pertenci ao GOPP durante alguns anos e fui Subcomandante da unidade por algum tempo. Em 2019, recebi o convite para assumir o CESTGEN (Centro Estadual de Gerenciamento de Emergência Nuclear), na função de coordenador, a qual exerço atualmente como principal atividade.


Confira a entrevista completa na edição de agosto/outubro da Revista Emergência.