Crédito: Arquivo pessoal

Por Paula Barcellos/Jornalista e Editora da Revista Emergência

Coordenador da Comissão Nacional de Urgência e Emergência do Cofen fala sobre desafios e evoluções da enfermagem no pré-hospitalar

A paixão pela urgência e emergência pré-hospitalar iniciou com o escotismo ao receber a primeira instrução de primeiros socorros, em 1986. De lá para cá a atuação na área se deu tanto no universo civil quanto militar. Com passagem no SAMU e Exército, o enfermeiro Eduardo Fernando de Souza atuou no setor seja como intervencionista, instrutor, coordenador ou gestor.

Atualmente, ele Coordena a Comissão Nacional de Urgência e Emergência do Cofen (Conselho Federal de Enfermagem), cuja prioridade no âmbito do pré-hospitalar “é qualificar a assistência prestada ao paciente crítico, por meio da elaboração de legislações que normatizem as ações da enfermagem no ambiente pré-hospitalar e regulamentar a implementação das Práticas Avançadas para o Enfermeiro que atua na Urgência e Emergência Pré-Hospitalar brasileira”.

A pandemia da COVID-19 ilustra bem a prioridade do Cofen quanto ao foco legislativo.  “Construímos um arcabouço de ações para amparar os profissionais de enfermagem que estavam na linha de frente, e dentre elas foi a Resolução 633/2020 que normatizou a atuação dos profissionais de enfermagem no Atendimento Pré-hospitalar (APH) móvel Terrestre e Aquaviário, quer seja na assistência direta e na CRU (Central de Regulação das Urgências)”, destaca. Nesta entrevista, o coordenador fala sobre a realidade, desafios e evoluções da enfermagem no APH.

PERFIL
EDUARDO FERNANDO DE SOUZA

Graduado em Enfermagem pela Faculdades Integradas Einstein de Limeira, em 2006, Especialista em Urgências, Emergências e Terapia Intensiva pela Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP, em 2008, e Pós-graduando em Gestão de Saúde – UNIP. Atualmente, Coordena a Comissão Nacional de Urgência e Emergência do Cofen (Conselho Federal de Enfermagem), é Conselheiro do Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo (Coren/SP) e membro do Comitê Gestor de Crise COVID-19. Atuou como Assessor Técnico da OPAS (Organização Panamericana da Saúde) na República Dominicana, em 2017, e foi Consultor Técnico da CGUE (Coordenação Geral de Urgência e Emergência) do Ministério da Saúde de 2009 a 2014. Possui experiência nacional e internacional na Coordenação de Equipes Assistenciais Multidisciplinares em Desastres e Emergências de Saúde Pública.

COMO E POR QUE O SENHOR SE INTERESSOU PELA ÁREA DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA E EM ESPECIAL PELO APH?

Minha paixão pela área iniciou em 1986 quando entrei para o Escotismo e recebi a primeira instrução de Primeiros Socorros. Já em 1987, conquistei a especialidade de Primeiros Socorros dentre tantas outras. Em 1994, quando ingressei no Exército Brasileiro, o treinamento sobre Higiene e Primeiros Socorros tinha como foco principal as três medidas salva-vidas (estancar a hemorragia, proteger o ferimento e prevenir o choque) e transporte de feridos. Porém, foi em maio de 1995, durante a intervenção militar na Refinaria de Paulínia/SP devido à greve dos petroleiros, que atuei em uma emergência de trauma e percebi que, além de conhecimento técnico (teórico e prático), faltavam equipamentos, pois as ambulâncias do exército eram básicas demais (possuíam somente um cilindro de oxigênio e uma maleta com medicamentos e material para curativos), necessitando de materiais específicos para realizar um atendimento adequado. A partir deste episódio, iniciei uma busca incansável por capacitação, quando em outubro de 1995 consigo a tão sonhada vaga para fazer o Curso de Técnico de Emergências Médicas – TEM 180 horas, no então 7º Grupamento de Incêndio (atual 7º Grupamento de Bombeiros) na cidade de Campinas/SP. Juntamente com o Sargento do Exército, Anderson de Almeida Faria, fomos os precursores da 11ª Brigada de Infantaria Blindada a concluir o Curso de Técnico de Emergências Médicas pelo Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo e receber com muita honra o “Brevê do Resgate”. Após esta conquista pessoal, tinha o dever de repassar os conhecimentos adquiridos aos militares do Exército. Não foi fácil devido às questões hierárquicas e os protocolos desatualizados da época, mas, em 1997, com o apoio do SAMU Campinas e dos Bombeiros do 7º GI, realizamos o 1º Curso de Pronto Socorrismo na 11ª Brigada de Infantaria. Em 1998, com autorização do General Luiz Reis de Mello, do imprescindível e fundamental apoio do João Geraldo Varino (in memorian) e dos amigos Tenente Josué Marcos Cardoso e do Sargento Roberto Nochang Carneiro, transformamos uma Ambulância Toyota (Tipo A) em uma Ambulância (Tipo C) “Resgate”, contendo todos os itens de uma Unidade de Resgate, inclusive materiais para salvamento terrestre, aquático e em alturas. Era um veí­culo 4×4 podendo atender qualquer tipo de emergência em qualquer lugar, com estrutura interna para ser transformada em (Tipo D) UTI Móvel caso fosse necessário. Até 1998, não havia registro de outra ambulância deste tipo no Exército. Desde então, se passaram 25 anos de atuação na Urgência e Emergência Pré-hospitalar, seja como intervencionista, instrutor, coordenador e gestor.


Confira a entrevista completa na edição de novembro/dezembro da Revista Emergência.