Crédito: Arquivo CFAB

Por Luana Cunha/Jornalista da Revista Emergência

É inegável que 2020 está sendo um ano atípico para o mundo todo. No Brasil, desde março, a pandemia da COVID-19 vem modificando rotinas de pessoas e serviços e não seria diferente com os centros de treinamentos. Importantes para a qualificação dos profissionais de urgência e emergência, estes locais, assim como tantos outros, tiveram que se adequar ao ‘novo normal’, reestruturando seus espaços físicos e implantando medidas de segurança sanitária para atender aos critérios básicos exigidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde), para o controle da pandemia. “Estas adaptações devem evitar aglomeração de pessoas, permitir ventilação e troca de ar ambiente em salas e edificações com ocupação de pessoas, executar a higienização dos ambientes e equipamentos, utilizar máscaras para todos e protetores de face para os instrutores, além dos procedimentos de higienização das mãos, com uso de álcool gel ou antissépticos específicos para este fim”, ressalta Jorge Alexandre Alves, Coordenador da Comissão de Estudos de Planos e Equipes de Emergências do CB-24 (Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio) da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e Diretor Técnico da Fire & Rescue Group.

Levando em consideração que o conteúdo da maioria dos cursos é dividido em módulos práticos e teóricos, visando à segurança dos professores e alunos, a maioria dos centros incorporou o módulo EAD (Ensino à Distância) para ministrar as aulas teóricas, utilizando diversas ferramentas de videoconferência. “Nossa primeira ação foi dar uma resposta aos alunos já matriculados e com as turmas em andamento. Desta forma, criamos em caráter emergencial as aulas EAD. Após realizar testes para COVID em todo o nosso corpo docente, iniciamos as gravações com um professor por dia e por tema, dando continuidade aos nossos cursos”, explica João Godoi, diretor do Centro de Treinamento em Emergências CFAB.

Em casos como este, Alves reforça que o instrutor deve preparar sua sala de aula virtual com ambiente adequado e equipamentos que permitam uma transmissão de som limpo, sem ruídos ao fundo e imagem com luminosidade adequada, com disposição dos equipamentos de uso demonstrativos sem produzir poluição visual. “O acúmulo de equipamentos, cartazes e excesso de cores podem desviar a atenção dos alunos”, complementa.

No CTILSB (Centro de Treinamento Internacional Life Support Brasil) as apresentações das partes práticas e simulados também estão sendo apresentadas por meio de vídeos e com exemplos do dia a dia dos instrutores. “Também fizemos adaptações nos locais físicos, seguindo os critérios da OMS de distanciamento, uso de máscaras e álcool gel”, afirma Marcelo Geronimo Ceppo, diretor operacional do CTILSB.

A PMS Centro de Treinamento também está disponibilizando cursos on-line, ao vivo ou gravados, para empresas que optam por não realizarem o treinamento presencial. “Para os treinamentos presenciais, enviamos orientações ao cliente para garantir a prevenção à COVID-19 antes de chegarem ao CT, que os alunos tragam materiais de uso pessoal (caneta, bota de segurança, etc.), bem como orientações para manter o distanciamento durante o transporte ao centro”, reforça Julia B. da Silva, coordenadora de conteúdo.

Godoi ressalta que o CFAB está sendo muito procurado para requalificação dos profissionais Bombeiros Civis, bem como Brigadas de Incêndio. “É nosso dever nos readequar ao cenário atual e continuar ministrando cursos. A segurança não pode sofrer interferências em tempos de crise, pois pode gerar vulnerabilidades, resultando em diversos acidentes”, ressalta.

AULAS PRÁTICAS

Em relação às aulas práticas, nos primeiros meses da pandemia todos os centros permaneceram fechados. Após avaliação em cada região, conforme decretos estaduais, os locais foram abrindo aos poucos, porém, devem seguir todas as medidas de segurança estipuladas. “As aulas presenciais devem seguir os critérios básicos de segurança sanitária, com grupo de alunos limitado de acordo com as disposições físicas para a ocupação de uso coletivo das instalações como, por exemplo, vestiários, banheiros, refeitórios, estações de exercícios, transportes, etc., sendo recomendado o critério de utilização de 50% da capacidade para cada uma das ocupações”, afirma Alves.

Além de obedecer ao distanciamento e o uso obrigatório de máscaras e álcool gel, os centros também estão realizando medidas de desinfecção dos locais antes e após as aulas presenciais. “Percebemos que os alunos estão mais cautelosos e seguindo, criteriosamente, as normas de segurança apresentadas. Penso que para o benefício de todos os cuidados em relação à higiene podem e devem ser mantidos mesmo após a pandemia”, comenta Thiago Zomignani Beagim, diretor da Projeted Treinamentos Equipamentos e Serviços.

NORMA TÉCNICA

Atualmente, encontra-se em consulta nacional, o texto revisado da ABNT NBR 14.277 – Instalações e equipamentos para treinamento de combate a incêndio, que estabelece as condições mínimas para a padronização dos campos para treinamentos. Segundo Alves, coordenador da comissão, na subseção 4.1.6 foi incluso o requisito que determina que todas as instalações de treinamentos de combate a incêndio e resgate técnico devem possuir as condições de conforto ergonômico, higiene e segurança, considerando as áreas para administração, salas de aula, refeitório, vestiários e banheiros. Além disto, o texto revisado da norma determina o fracionamento do grupo de alunos para até dez participantes por instrutor. “Todos os treinamentos práticos acima de dez participantes, que necessitem de atenção quanto à segurança dos participantes, devido aos riscos da atividade educacional, deve-se acrescentar, pelo menos, um instrutor auxiliar para cada grupo de até dez treinandos da turma, quando em atividades simultâneas”, complementa o coordenador. A NBR 14.277 também define que o instrutor encarregado pode solicitar instrutores adicionais quando fatores como, por exemplo, temperaturas extremas ou grandes grupos, estiverem presentes e/ou classes de longa duração forem planejadas.

Para os especialistas, a pandemia trouxe uma mudança no critério de escolha dos consumidores que, atualmente, buscam por centros de treinamento que atendam aos requisitos de segurança e boas práticas. “Do ponto de vista técnico, percebo que práticas que não são recomendadas em treinamentos de brigadas e bombeiros civis, mas que ainda perpetuam em alguns campos de treinamentos como, por exemplo, o compartilhamento de equipamentos de proteção individual sem a devida higienização e atividades questionáveis que pouco colaboram para o aprendizado do alunos, por exemplo, se arrastar em lama ou em poças de água, deitar sobre lâmina de água no piso durante o “banho de mangueira da turma”, entre outras que aumentam a exposição de contágio, tem sido cada vez mais percebidas pelos participantes. Portanto, acredito que estas práticas devem ser descontinuadas pelos instrutores que ainda insistem nestes modelos arcaicos e inapropriados”, conclui Alves.

Confira outros conteúdos na edição de novembro/dezembro da Revista Emergência.

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