Crédito: Arquivo Luciana Perdigão

As possíveis soluções para proteção respiratória durante o combate de incêndios florestais no Brasil

Os incêndios florestais liberam sim gases tóxicos. Por ocorrerem em vegetação, muitas pessoas acreditam que não produzem gases tóxicos e não oferecem perigo de toxicidade respiratória. Mas esta é uma impressão equivocada. Alguns contaminantes têm efeitos agudos como dor de cabeça e até desmaio, outros apresentam consequências crônicas como problemas cardíacos e câncer.

Alan Ager et al. dizem que além de naturalmente estes incêndios liberarem os gases tóxicos, muitas vezes, o combate se dá em áreas antropizadas: agrícolas com agroquímicos (fertilizantes e defensivos); industriais com rejeitos (subprodutos e sobras); militares com sobras de armas químicas, biológicas e eventualmente radioativas. Até mesmo áreas urbanas com resíduos e lixos que expõem o combatente aos mesmos gases perigosos dos incêndios estruturais urbanos.

O uso de EPRA (Equipamento de Proteção Respiratória Autônomo) é inconveniente ao trabalho de combate a incêndios florestais, pois tem um peso relativamente alto (cerca de 16 Kg) e baixa autonomia. A NFPA (National Fire Protection Association), em seu documento sobre a preparação, já aponta para necessidade de uso de um sistema de proteção respiratória suficientemente efetivo para os combatentes florestais, alertando para inadequação do EPRA com restrição de mobilidade, além da necessidade de vários cilindros reserva na cena de grandes incêndios em ambientes remotos.


Dados do autor:

Michel Aquino de Souza – Biólogo, Mestre em Ciências Florestais, Combatente Florestal no CBMDF
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*Texto baseado no artigo: Proteção Respiratória do Combatente de Incêndio Florestal, publicado na Revista Flammae, vol. 06, n. 17, 2020.


Confira o artigo completo na edição de novembro/dezembro da Revista Emergência.