Crédito: Soldado Bm Jackson Jacques/CBMSC

As aplicações da Inteligência Artificial na busca da Redução de Riscos de Desastres

A Defesa Civil iniciou em 1941 na Inglaterra, durante a Segunda Guerra Mundial, embora o seu conceito tivesse sido estimulado desde a Primeira Guerra Mundial pela experiência de bombardeios em áreas civis, segundo A. Khanal. O termo Defesa Civil foi cunhado quando o governo britânico assumiu a impossibilidade de proteger os seus cidadãos contra os bombardeios aéreos alemães e criou a Civil Defense. Essa “organização civil” foi baseada em um protocolo de autoproteção dos cidadãos a partir de treinamentos, capacitação e fornecimento de equipamentos para a população londrina por autoridades civis e militares; com o fim da guerra, essas organizações foram extintas. No Brasil, um sistema semelhante foi criado na década de 60 para o enfrentamento das enchentes no antigo estado da Guanabara, provocadas por fortes chuvas que atingiram a região Sudeste entre 1966 e 1967.  Foi então elaborado o Plano Diretor de Defesa Civil do Estado da Guanabara que criou as Coordenadorias Regionais de Defesa Civil – REDEC e que resultou na primeira Defesa Civil Estadual do Brasil. Vale lembrar que o Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro foi fundado pelo Imperador D. Pedro II em 1856 após grandes incêndios na cidade do Rio de Janeiro e, dessa forma, essa instituição militar passou a responder também pelos desastres provocados por enchentes e inundações nas áreas urbanas, sendo até os dias atuais, o pilar operacional de todo o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.

As enchentes e inundações no território brasileiro, notadamente no Rio de Janeiro, representaram os primeiros eventos climáticos que preocuparam os seus habitantes desde o descobrimento do Brasil e que perduraram ao longo dos séculos. A primeira inundação por uma enchente histórica ocorreu no século XVI e não tem registro escrito. É relatada por cronistas do século XVII, quando chuvas intensas alagaram a atual Rua 1º de Março e o Largo da Carioca – antigas Lagoas Santo Antônio. As enchentes se sucederam nos séculos XVIII, XIX e XX. Neste último, houve um aumento expressivo do evento, principalmente em função do crescimento da zona urbana, da ocupação da zona suburbana e ocupação do solo. Nos primeiros séculos que se seguiram após o descobrimento do Brasil, a reação da população frente às inundações e a outros eventos climáticos extremos exibia uma espécie de fatalismo, evidenciando certo temor das pessoas frente a esses eventos. Segundo H. Costa e W. Teuber “no século XVIII foram notáveis as enchentes de 21 para 22 de setembro de 1711, quando a cidade foi invadida pelos franceses. Na noite de 21, os franceses, após terem capturado a Ilha das Cobras, iniciaram o célebre bombardeio da cidade sob intenso temporal que alagou o Rio de Janeiro e facilitou a invasão francesa, tornando-a vitoriosa. Um registro de Balthazar da Silva Lisboa narra que, em 14 de abril de 1756, aconteceu uma enchente histórica na cidade que perdurou por três dias ininterruptos. O terror se apoderou dos habitantes, fazendo com que todos procurassem abrigo nas igrejas. Segundo o cronista, as águas cresceram de tal maneira que inundaram ruas do atual centro do Rio de Janeiro e entravam nas casas”.


Dados dos autores:

Airton Bodstein – Professor Titular da Universidade Federal Fluminense-RJ, fundador e coordenador do Mestrado em Defesa e Segurança Civil e fundador e ex-presidente da ABRRD (Associação Brasileira de Redução de Riscos de Desastres).
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Angela Maria Abreu de Barros – Professora Doutora do Mestrado em Defesa e Segurança Civil, Universidade Federal Fluminense-RJ
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Confira o artigo completo na edição de maio/junho da Revista Emergência.