Ilustração: Beto Soares/Estúdio Boom

Certificação de Sistemas de Proteção contra Incêndio deve ser melhor compreendida e mais exigida no país

Alguns técnicos da área de proteção contra fogo não costumam prestar muita atenção quando se fala em certificação. Alguns fornecedores de sistemas que deveriam atender à legislação, simplesmente mascaram a eficiência de seus produtos, informando que a realização de ensaios laboratoriais os certificam. É comum vermos fichas técnicas de produtos afirmando serem certificados, quando na realidade só passaram por ensaios de performance em laboratórios de fogo. Primeiramente, o termo certificação, utilizado até em leis do setor, não corresponde ao instituído pelo sistema Sinmetro (Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial)/Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). A confusão é muito grande e diria que o Brasil não se preparou, como tantos outros países do mundo, para exigir o mínimo de garantias de que os sistemas instalados atendam todos os requisitos normativos e de desempenho aplicáveis.

Um exemplo mais que debatido por quem defende seriedade. O “liability” no caso de um sinistro, a quem cabe a responsabilidade? Vejamos, o fabricante de um produto o desenvolve por muito tempo, a fim de atender às exigências legais. Monta um sistema que é exaustivamente testado em seu desempenho. Otimiza a solução técnica e apresenta ao mercado sua especificação e ensaios realizados de acordo com as normas. Vende os produtos que fazem parte de um sistema aprovado e garante que atingirá o resultado esperado. Até aí tudo bem, pois no papel tudo funciona. Mas, quem aplica a solução do fabricante? São equipes treinadas e que conhecem como o sistema foi ensaiado, repetem o mesmo modelo que foi ensaiado em laboratórios especializados? Para por aí. Se não se garante a aplicação, de acordo com o ensaio, como saber se a pretensa proteção contra fogo vai funcionar? Este raciocínio é válido para sistemas de combate ao incêndio, detecção e alarme, controle de exaustão de fumaça, pressurização e toda proteção passiva contra fogo. Falar em certificação fica difícil, pois vai muito além de dizer que um sistema ensaiado funciona.


Dados do autor

Silvio Piga – Engenheiro Químico e de Segurança; Diretor Técnico da Maker Engenharia.
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