Ilustração: Beto Soares/Estúdio Boom

Técnica de modelagem mostra a rapidez de um incêndio em um compartimento de um prédio, pondo em risco os ocupantes

Em junho de 2017, um incêndio afetou um edifício de apartamentos residenciais em Londres, no Reino Unido. A torre Grenfell tinha 24 andares e abrigava famílias de baixa renda. O incêndio vitimou um total de 72 pessoas. O caso gerou muita controvérsia e ainda há muitas implicações políticas. Uma investigação pública foi aberta e a primeira parte do relatório foi recentemente publicada em outubro de 2019, segundo matéria da BBC.  Este relatório traz severas críticas à atuação das equipes de bombeiros. Sabemos que a fachada (composta por múltiplas camadas de chapas de alumínio prensadas com polietileno recobrindo blocos de material para isolamento térmico) foi determinante na assustadora velocidade de propagação deste incêndio. Não havia, até aquela data, precedentes de tal comportamento em um incêndio em edificação vertical.

Os apartamentos não tinham proteção por sprinklers (chuveiros automáticos). O conceito de proteção consistia na compartimentalização do fogo. As portas de acesso aos apartamentos tinham resistência ao fogo de uma hora.  A legislação de segurança contra incêndio para a torre Grenfell consistia na premissa de que um incêndio seria contido dentro do apartamento de origem por tempo suficiente durante o qual o corpo de bombeiros extinguiria o fogo. Localmente, esta prática denominada stay-put fire policy era o mantra dos membros do corpo de bombeiros. Há relatos por parte de sobreviventes de terem recebido a ordem expressa (por parte dos bombeiros) de retornarem ou permanecerem em seus apartamentos, conforme matéria da BBC.


Dados do autor

Andrés Céspedes – Consultor Sênior em Prevenção de Perdas há 21 anos; Mestre em Engenharia Química (Modelagem e Simulação de Processos Químicos) pela Unicamp.
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