Crédito: Arquivo GRE

As leis existentes no país e a importância dos Programas de Acesso Público à Desfibrilação

É dia 27 de outubro de 2004. Durante uma partida de futebol do Campeonato Brasileiro, entre São Caetano e São Paulo, no Morumbi, aos 14 minutos do segundo tempo o atacante Grafite, do São Paulo, tropeça no zagueiro do time adversário, que tinha sofrido um mal súbito em decorrência de uma cardiomiopatia hipertrófica. Os colegas percebem a gravidade da situação e chamam a equipe médica. Manobras de RCP são iniciadas meio descoordenadas e o DEA (Desfibrilador Externo Automático) não chega até o jogador desfalecido. Todos em volta do colega caído entram em desespero, até que resolvem levá-lo até a ambulância para dar continuidade ao atendimento. A partida foi dada como encerrada. Ele morreu no hospital uma hora mais tarde (oito dias após completar 30 anos). Nunca saberemos se um DEA instalado imediatamente após a PCR (Parada Cardiorrespiratória) teria salvado a vida de Paulo Sérgio Oliveira da Silva, o Serginho.

Isto aconteceu mais de 12 anos depois que a então companhia aérea Varig, por meio de um projeto piloto, instalava o primeiro DEA no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro/RJ, seguindo o exemplo da companhia aérea australiana Qantas, que instalou desfibriladores externos automáticos nos principais terminais internacionais da Austrália e em cada uma das suas 55 aeronaves, permitindo que uma vítima de parada cardíaca fosse desfibrilada nos primeiros dois ou três minutos, mesmo estando a 33 mil pés de altitude. A Qantas forneceu treinamento em Suporte Básico de Vida e Desfibrilação para mais de 4.000 funcionários e tripulantes, conforme M. S. O’Rourke, E. Donaldson e J. S. Geddes.


Dados do autor

Paulo Guimarães – cirurgião-dentista e médico anestesiologista do Serviço de Anestesiologia do Hospital das Forças Armadas – HFA. Oficial médico da ONU, durante a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH), no 9º Contingente da Companhia de Engenharia de Força de Paz (Jul/2009 – Jan/2010), tendo atuado diretamente na coordenação e atendimento às vítimas durante e logo após o terremoto no Haiti em 12 de janeiro de 2010.
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