Área máxima de compartimentação? Fala sério!

O conjunto de normas de segurança contra incêndio emanados tanto pelo Poder Público como pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) possui uma dose significativa de traduções, e simples opiniões muitas vezes até incorporadas das traduções.

Já comentado em texto anterior, traduzir e tentar adaptar normas, mesmo de um estado brasileiro para outro, embora produzindo avanços, invariavelmente provoca interpretações díspares e não raro equivocadas, as quais custam para serem ajustadas, causando, nesse meio tempo, grandes transtornos para quem as utiliza.

Esse cenário de usar textos produzidos por outrem grassou no Brasil, especialmente depois que no estado de São Paulo, coordenado pelo hoje coronel da reserva Silvio Bento da Silva, o Corpo de Bombeiros produziu, em 2001, um conjunto normativo robusto e de formato ímpar, o qual foi adotado por diversos outros estados, culminando por servir de modelo para gerar um modelo nacional sugerido pelo Ministério da Justiça.

A partir de então essas normas vêm crescendo e se alterando, muitas vezes aumentando a complexidade, sem apoio, como já dissemos, em conjunto factual ou estatísticas que justifiquem essas alterações.

Dentre esse conjunto, e já presente em regulamentações anteriores, implantou-se sob novo vetor, qual seja a carga de incêndio, a exigência de áreas máximas de compartimentação. E os números começaram a dançar.

Não se encontra disponível em quaisquer textos científicos uma técnica que permita, sob quaisquer modelos ou vetores, calcular uma área máxima de compartimentação.

Surgida em meados do século XIX no Reino Unido com a dimensão de 1500 m2, e copiada em diversos países, inclusive no Brasil, essa área “área máxima de compartimentação” tem variado, ao sabor de quem as determina, por puro achismo, sem um claro propósito ou, como já disse, técnica que a sustente.

E mesmo variando especialmente em números, de cá pra lá, de época em época, mantém-se como uma exigência. Alguém poderia nos dizer como foram determinadas e por que?


O blog Falando de SCI (Segurança Contra Incêndios) trata dos incêndios e seus impactos na sociedade e de fundamentos e aspectos da regulamentação de segurança contra incêndio em geral. Seu autor é Walter Negrisolo, oficial da RR (reserva remunerada) do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar de São Paulo; Mestre em Arquitetura e Urbanismo e Doutor em SCI.
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